Economia

Nem sinal da Martifer nos Estaleiros de Viana

Nem sinal da Martifer nos Estaleiros de Viana

A assinatura do contrato de subconcessão dos terrenos, infraestruturas e equipamentos dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo aconteceu na última sexta--feira, mas na empresa a presença da Martifer ainda não foi sentida, segundo a Comissão de Trabalhadores.

"O nosso dia a dia está igual. Não tivemos qualquer sinal da Martifer, nem vamos ter. Os estaleiros vão existir como empresa pública e por muitos anos", declarou ontem o coordenador, António Costa, confiante num possível recuo no processo de subconcessão face à renegociação do contrato com a Venezuela entre Portugal, os estaleiros e a empresa de petróleo venezuelana.

Notória nas instalações dos estaleiros, admite António Costa, é já a ausência de trabalhadores. "Aquelas pessoas mais antigas, já não as vemos. Já se sabia que os primeiros a ser convidadas a sair eram as mais antigas. Não deveriam ter cedido, mas foram aliciadas...".

Bernardo Soares, chefe do serviço de soldadura dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo e membro ativo da Comissão da Trabalhadores durante vários anos, foi um dos primeiros "120 a 200" operários que já rescindiram contrato com a empresa desde o início deste ano.

Agora que "abandonou o barco", o antigo trabalhador, com 58 anos de idade e 42 de trabalho no estaleiro, é da opinião de que a construção dos dois navios para a empresa Petróleos de Venezuela, que esta semana estará a ser renegociada pelo Governo, pode garantir futuro aos seus antigos colegas.

"A empresa já não consegue construir navios. Os trabalhadores com 'know-how' já saíram e o estado da maquinaria é mau, porque esteve muito tempo parada. Era preciso um investimento muito grande. Se a Martifer fizer os navios para a Venezuela vai ser a salvação daquela gente", defende.