Japão

Nissan confirma demissão por unanimidade do presidente

Nissan confirma demissão por unanimidade do presidente

O Conselho de Administração do grupo japonês Nissan aprovou, esta quinta-feira, por unanimidade, a demissão de Carlos Ghosn do cargo de presidente, após a detenção por alegada má gestão financeira, indica um comunicado.

A decisão põe fim a um período de cerca de 20 anos de Ghosn como um dos grandes dirigentes industriais. Carlos Ghosn tinha sido detido na segunda-feira, em Tóquio, o mesmo tendo acontecido com o seu principal colaborador, Greg Kelly.

O Conselho de Administração da Nissan reafirmou também o compromisso na aliança que une a empresa à Renault e confirmou que a parceria com o grupo automóvel francês "permanece intacta".

"Depois de ter passado em revista um relatório interno detalhado, o conselho votou por unanimidade o afastamento de Carlos Ghosn da presidência", indicou a Nissan num comunicado divulgado após quatro horas de reunião da administração, em Yokohama, nos arredores de Tóquio.

A confirmação do afastamento de Ghosn figura numa outra comunicação enviada à Bolsa de Tóquio, três dias após a detenção do líder da Nissan-Renault na sequência de uma investigação que terá revelado uma série de irregularidades financeiras nos últimos anos.

A nota explica em termos gerais as três irregularidades de que Ghosn é acusado e que já tinham sido divulgadas pela imprensa quando foi detido.

A comunicação cita, entre elas, notificações ao regulador bolsista em que Ghosn terá declarado rendimentos menores do que os que recebeu, sem precisar números nem datas, mas indicando que terá sido durante "muitos anos".

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Acusa-o também de usar em benefício próprio capitais de investimento da empresa "sob falsos pretextos" e de utilizar fundos da Nissan Motor para cobrir gastos pessoais.

A notificação para a Bolsa de Tóquio considera Ghosn e Kelly os "organizadores" destas alegadas operações irregulares.

Greg Kelly é pouco conhecido, mas na Nissan era considerado o homem de confiança do presidente.

Entrou na filial norte-americana da Nissan em 1988, depois de ter exercido advocacia. Kelly, um norte-americano de 62 anos, foi subindo progressivamente na empresa até se tornar membro da direção do grupo em 2008, responsável pela organização das tarefas do presidente.

Um ano mais tarde acumula outras funções incluindo a direção dos recursos humanos de todo o grupo e a sua comunicação e, em 2012, assume funções de administrador.

O Conselho de Administração da Nissan não apontou qualquer nome para a presidência interina, mas os trabalhos da reunião de hoje foram dirigidos por Hiroto Saikawa, que tem sido considerado o provável escolhido.

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