O Jogo ao Vivo

Pandemia

Norte é a região onde menos hotéis vão encerrar até ao fim do ano

Norte é a região onde menos hotéis vão encerrar até ao fim do ano

Inquérito da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP) revela que, em média, vão encerrar 45% das unidades a nível nacional, sendo a percentagem de apenas 36% no Norte.

Até ao final do ano, vão encerrar ou já estavam encerrados no início de novembro a maioria dos hotéis em regiões como o Algarve (65%) e a Madeira (57%), descendo o valor de encerramentos em Lisboa (46%, dos quais 93% já estavam fechados no mês passado), no Centro (41%), nos Açores (40%) e no Norte (36%), sendo a média nacional de 45%.

Esta média sobe para 56% no caso das unidades de grupos hoteleiros, das quais 78% encerram no Algarve e mais de 60% em Lisboa. Para Cristina Siza Vieira, diretora executiva da AHP, este valor é "relevante e revelador de como até os grupos estão a ser afetados" pela crise espoletada pela pandemia.

Os encerramentos, em muitas regiões, já se prolongam há muitos meses. Em novembro, em média, e nos Açores, as unidades estavam encerradas há 7,1 meses; no Algarve e no Alentejo, a conta vai em 5 e em 4,7 meses, respetivamente; e Lisboa também chega a 4,3 meses. As regiões com menos tempo de encerramento eram a Madeira (2,2 meses), o Centro (3,1) e o Norte (3,2 meses).

Enquanto não reabrem, 40% dos hotéis ponderam abrir apenas em períodos pequenos, como os fins de semana (70% no Alentejo) ou em períodos festivos ou para eventos (51% em Lisboa).

Os hotéis que continuam a funcionar diminuíram a oferta (36%) e a capacidade (26%). No geral, a AHP estima que a hotelaria tenha reduzido em 72% a oferta das unidades de alojamento. Há hotéis a ponderar a utilização das unidades para outros fins: 49% para trabalho, 24% para formação e alojamento de estudantes e 20% para eventos.

Quanto a reabrir de facto, a maioria (46,4%) prevê fazê-lo em março, um quarto não sabe quando o fará (23,7%) e 16,9% pensa fazê-lo ainda durante o primeiro trimestre do ano que vem.

PUB

Para aguentar a crise, 65% dos hotéis recorreram às medidas de Apoio Extraordinário à Retoma, especialmente na região de Lisboa (59%), na Madeira (60%) e no Algarve (55%). A Norte, cerca de metade das empresas recorreram aos apoios. A redução do horário de trabalho é a opção de mais de 80% dos hotéis (entre 41% e 100% de redução).

A não renovação de contratos ou os despedimentos aconteceram em muitas unidades: 50% dos hotéis reduziram até 20% do quadro de pessoal normal (incluindo trabalhadores contratados) e 10% reduziram mesmo o pessoal a metade.

A AHP sublinha que "desde o início que estima que haja poucos hotéis a encerrar definitivamente, esperando-se antes que fiquem em hibernação e à espera para reabrir". Segundo Cristina Siza Vieira, "2020 é um ano perdido e 2021, se tivermos o dobro deste ano e metade do ano passado" já será um bom ano, será o princípio de alguma coisa".

A hotelaria deverá encerrar 2020 com menos 80% de dormidas (46,4 milhões) e quebra idêntica nas receitas (3,6 mil milhões), sendo a perda global de receitas do turismo na ordem dos 19,9 mil milhões de euros em 2020.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG