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Economia

Notas de 500 podem ter os dias contados

Notas de 500 podem ter os dias contados

O Banco Central europeu vai tomar uma decisão proximamente sobre uma eventual supressão das notas de 500 euros e os argumentos para as manter em circulação são "cada vez menos convincentes".

"Estamos a refletir sobre a questão e vamos tomar uma decisão proximamente", disse Benoît Coeuré, membro da direção do BCE, ao jornal francês "Le Parisien", que o questionava sobre o futuro da nota de 500 euros, a nota de maior valor disponível nos 19 países da zona euro.

"As autoridades competentes suspeitam cada vez mais que (as notas de 500 euros) são utilizadas para fins ilícitos, um argumento que não podemos ignorar", explicou Coeuré.

As notas de 500 euros - que representam apenas 3% do número de notas em euros em circulação, mas 28% do valor das mesmas segundo estatísticas do BCE - permitem transportar discretamente enormes montantes.

O papel das notas de 500 euros na circulação de dinheiro 'sujo', a corrupção e o financiamento de atividades ilegais é cada vez mais apontado, numa altura em que a União Europeia (UE) decidiu reforçar a ação de luta contra o financiamento do terrorismo, pressionada designadamente pela França.

A Comissão Europeia indicou no início de fevereiro que queria "trabalhar com o BCE e todas as partes envolvidas para ver se era necessária uma ação específica sobre este assunto".

"Do meu ponto de vista, os argumentos a favor da manutenção da nota de 500 euros em circulação são cada vez menos convincentes", declarou Coeuré.

A decisão final cabe ao Conselho de Governadores do BCE, formado pelos seis membros da direção e pelos 19 governadores dos bancos centrais nacionais.

Numerosos especialistas já puseram em causa a eficácia da medida na luta contra a criminalidade. "Os representantes do crime organizado não são idiotas, o branqueamento de dinheiro faz-se há muito tempo, essencialmente, através de empresas fictícias e de forma desmaterializada", defendeu Friedrich Schneider, especialista em economia paralela da Universidade de Linz na Áustria, citado pela imprensa alemã.

Coeuré reconheceu que nem todos os países estão já preparados para assinar a sentença de morte das notas de 500 euros, designadamente "a Alemanha por temer o desaparecimento dos pagamentos com dinheiro",

A nota de 500 euros foi criada pela pressão da Alemanha entre outros países porque é muito agarrada às notas e moedas e na altura havia uma nota de 1.000 marcos (Deutschmarks) com um valor equivalente.