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"Nova mobilidade só resulta se mudarmos comportamentos"

"Nova mobilidade só resulta se mudarmos comportamentos"

Automóvel. Nem toda a tecnologia será suficiente para cumprir as metas de descarbonização se cada um não desempenhar o seu papel, avisou o ministro do Ambiente, nas Automotive Sessions, em Setúbal.

O carro do futuro terá de ser mais eficiente, a mobilidade nas cidades terá de ser uma aposta estratégica das autarquias, as metas para reduzir as emissões de dióxido de carbono terão de ser cumpridas dentro do calendário da União Europeia e as energias terão de ser cada vez mais limpas. Tudo isso é ponto assente, ninguém contesta. Esse é o caminho que investigadores, empresários e autarcas apontaram para o futuro durante o Automotive Sessions, ontem, no Fórum Luísa Todi, em Setúbal. "Mas nem toda a tecnologia do mundo será suficiente se a mudança não começar em cada um de nós", avisa o ministro do Ambiente e da Transição Energética.

Na segunda de três sessões que antecede a cimeira internacional Portugal Mobi Summit, em outubro, João Pedro Matos Fernandes adverte que adaptação ao futuro está mais dependente da mudança de mentalidades do que de políticas públicas. E a grande questão que se coloca é se vamos continuar a encarar o transporte individual como algo que nos pertence ou como algo do qual nos podemos servir: "Temos de criar novos modelos de negócio em que mais do que vender um produto, o importante é disponibilizar um serviço", adiantou o governante no encerramento do evento organizado pela Global Media Group e EDP em parceria com a Via Verde, Fidelidade e CEiiA.

E a equação do futuro é simples, defende o ministro do Ambiente. Ir de férias para o Norte ou Sul do país, deslocar-se para o trabalho ou viajar entre uma cidade e outra não pode continuar a ser num automóvel que é nosso, diz José Pedro Matos Fernandes, apontando a partilha de carros como a solução que melhor vai cumprir os objetivos de mobilidade urbana e de redução de emissões de dióxido de carbono.

Muito se falou, aliás, do papel do carro para combater a poluição atmosférica nos centros urbanos e, mais uma vez, o ministro quis alargar o âmbito da discussão para outros transportes. "A mobilidade é muito mais do que apenas o automóvel", sublinha Matos Fernandes, acrescentando que nesta equação também têm de entrar também o comboio, o barco e todos os meios de transporte: "Nenhuma estratégia é bem sucedida se não houver uma visão que começa na construção automóvel e acaba no consumidor cada vez mais exigente."

Numa era de muitos desafios para a indústria automóvel, Setúbal recebeu especialistas que abordaram não só o presente, mas também as expectativas sobre o futuro. Helena Silva, CTO do CEiiA, lançou o mote ao considerar que o carro será cada vez mais "partilhado, conectado e autónomo". E no que diz respeito à descarbonização, é através da eletrificação que se atingirá essa meta, segundo António Coutinho, administrador da EDP. Neste painel, Licínio Almeida, diretor geral da Volkswagen Portugal, salientou que se entrou "num processo irreversível", agora que a aposta nos híbridos e elétricos é cada vez maior.

O que se irá conduzir no futuro foi uma das questões, tal como o do motor a combustão. E no último debate foi defendido como o diesel não deve ser "diabolizado". Hélder Pedro, secretário-geral da Associação do Comércio Automóvel de Portugal realçou a importância da renovação do parque automóvel e não apenas trocar combustão por elétricos. António Luís Moreira, professor do IST, referiu mesmo como o veículo elétrico não é solução para tudo, elogiando a motorização híbrida.