Hotelaria e Turismo

"O Algarve precisa de 50 a 60 mil pessoas ativas e não há habitação para elas" 

"O Algarve precisa de 50 a 60 mil pessoas ativas e não há habitação para elas" 

Falhas na rede de transportes e inexistência de plano de habitação são os desafios apontados, numa altura em que a região vive "crise de identidade".

É o principal destino turístico do país, fruto de uma "evolução notável" operada nas últimas quatro décadas, mas enfrenta, hoje, "enormes desafios". Um deles, a falta de mão de obra. "O Algarve precisa de 50 a 60 mil pessoas ativas", defendeu Mário Azevedo Ferreira, CEO do Grupo NAU Hotels & Resorts, onde está a decorrer o 32.º Congresso Nacional da Hotelaria e Turismo, lamentando a ausência de "um plano de habitação" na região para as acolher.

"O Algarve tem uma enorme atratividade para turistas, mas não para atrair e fixar residentes ativos", frisou, explicando que o problema se estende a várias áreas. "Há uma enorme dificuldade para contratar médicos, enfermeiros, professores e forças de segurança, muito devido à falta de habitação", notou.

Problema ao qual se juntam - diz o gestor hoteleiro - a "falta de rede de transportes" e "uma lei laboral que não é amiga do emprego, rígida, genérica, inspirada na indústria e não adequada a uma região afetada pela sazonalidade".

Outro dos problemas reside, segundo o presidente da Entidade Regional de Turismo do Algarve, João Fernandes, na "falta de financiamento" para projetos que estão, há anos, no papel, nomeadamente o do hospital central. "E se o público não der, aqui, o exemplo, será ainda mais difícil o privado entrar", acrescentou Marta Cabral, diretora da Rota Vicentina. A responsável acredita que a região enfrenta, no fundo, uma "crise de identidade", motivada pela tentativa de conciliar as características rurais da região com as expectativas dos hoteleiros e turistas.

"O Algarve é uma região maioritariamente rural e nós importamos fantasias", defendeu, sublinhando que o segredo terá de passar pelo aproveitamento dos fatores endógenos. "O turismo precisa muito de agentes culturais e os hoteleiros têm de investir tempo nisso. Não podemos ter dez pontos de atratividade para onde se manda todo o Algarve. Precisamos de 100", frisou.

E ilustrou, como exemplo, as "nonnas" [avós] da cidade italiana de Palombara Sabina, que ensinam os turistas a fazer a típica pasta, passo por passo. "É preciso arranjar uma forma de aproveitar a diversidade do Algarve", referiu.

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