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"O passado não é nosso, só comprámos o futuro"

"O passado não é nosso, só comprámos o futuro"

O líder do Banco Santander Totta, António Vieira Monteiro, evitou, esta quarta-feira, comentar as declarações feitas na véspera pelo ex-presidente executivo do Banif Jorge Tomé.

"A única coisa que lhe poderei dizer é que durante muitos anos o banco apresentou prejuízos sistematicamente, e quando chegamos à situação em que as autoridades tiveram que intervir, não foi por acaso", afirmou o presidente do Santander Totta durante a conferência de imprensa de apresentação das contas de 2015, em Lisboa.

E destacou: "O passado não é nosso. Nós só comprámos o futuro".

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Na terça-feira, Jorge Tomé disse que o que se passou com o banco foi uma "liquidação forçada", considerando que a proposta do Santander Totta de compra dos ativos do banco poderia ter sido melhor.

Jorge Tomé afirmou ainda que a proposta que o Santander Totta fez pelo Banif no processo de venda voluntária, antes da resolução, era "bastante melhor do que a que foi encontrada" e acordada após o resgate.

"Já que queriam que fosse o Santander por que não melhoraram a proposta do Santander", questionou.

Confrontado sobre a matéria pelos jornalistas, Vieira Monteiro confirmou que "a proposta do Santander inicial era diferente daquela que foi feita" no âmbito da resolução.

O gestor explicou que a diferença entre as propostas derivou da alteração das condições do negócio, já que no processo de venda voluntária o Santander Totta tinha a possibilidade de analisar detalhadamente os ativos e passivos do Banif, ao contrário do que aconteceu na venda concretizada no âmbito da medida de resolução aplicada pelo Banco de Portugal.

"Na inicial, o Santander apresentava uma proposta com 'due diligence' [diligência prévia], que permitia aprofundar toda a situação do banco", realçou.

"Depois não. Disseram-nos: Fazem-nos uma proposta firme, os senhores compram o banco e os riscos todos inerentes", acrescentou.

Perante as críticas que têm surgido com frequência acerca do baixo preço do negócio, Vieira Monteiro disse por diversas vezes considerar que o preço dado pelo Santander Totta foi o "preço justo".

E concluiu: "Nós não costumamos adquirir maus negócios, só o que pensamos que são bons negócios".

A 20 de dezembro, o Governo e o Banco de Portugal anunciaram a resolução do Banif, com a venda de parte da atividade bancária ao Santander Totta, por 150 milhões de euros, e a transferência de outros ativos - incluindo 'tóxicos' - para a nova sociedade veículo Oitante.

A resolução foi acompanhada de um apoio público de 2.255 milhões de euros, a que se somam duas garantias bancárias do Estado no total de 746 milhões de euros.

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