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OCDE diz que próximo ano será o mais difícil para Portugal

OCDE diz que próximo ano será o mais difícil para Portugal

O próximo ano será o mais difícil para Portugal e qualquer crescimento que a economia possa ter em 2013 irá depender muito da retoma que venha a acontecer no resto do mundo, em especial da zona euro, referem economistas da OCDE.

Em entrevista à Agência Lusa, por telefone a partir de Paris, o economista sénior David Haugh e o economista português Álvaro Pina, que são responsáveis pela análise da economia portuguesa na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), explicaram as projecções para a economia portuguesa incluídas no 'Economic Outlook' da organização, divulgado esta segunda-feira.

"O ano mais difícil para Portugal será 2012, porque será um ano de um grande esforço em termos de consolidação orçamental, também porque será um ano em que os desequilíbrios no sector privado começarão a ser resolvidos, em termos de desalavancagem do sector privado por exemplo", explicou Álvaro Pina.

Nas previsões divulgadas, a OCDE prevê que a economia portuguesa recue 1,6% este ano e 3,2% em 2012 e aponta para que a taxa de desemprego alcance os 13,8% em 2012.

Para 2013, a OCDE estima um crescimento modesto para Portugal (0,5%), mas alerta que este depende muito das exportações, e consequentemente, do resto do mundo, em especial da zona euro, principal destino das exportações portuguesas.

"Esperamos que [a consolidação orçamental e desalavancagem dos restantes sectores da economia] criem a base para uma retoma do crescimento, apesar de ser em níveis modestos, da procura interna em 2013, e claro, o crescimento modesto em 2013 depende amplamente das exportações, e consequentemente da retoma projectada para o resto do mundo, em especial da zona euro", acrescentou.

"Portugal está muito dependente do que acontece na zona euro. As exportações portuguesas dependem muito do mercado da zona euro e dado o actual contexto de debilidade da procura interna, tanto pública como privada, as exportações serão o motor do crescimento. Qualquer crescimento da economia portuguesa irá amplamente, muito amplamente vir das exportações em vez da procura interna", acrescentou.

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Os dois economistas lembram que existem riscos em redor da projecção feita, não só para Portugal, mas para todos os países, numa altura em que a OCDE revê em forte baixa o crescimento económico que espera na zona euro, e nas suas principais economias, como é caso da Alemanha e da França, que devem crescer, mas a ritmos muito reduzidos. Já a economia italiana, sob forte tensão dos mercados, deverá entrar em recessão no próximo ano.

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