Crise

Pandemia gerou 4098 desempregados por dia no início de abril

Pandemia gerou 4098 desempregados por dia no início de abril

Subsídios de desemprego aumentaram 65%, despedimentos coletivos dispararam e ofertas de emprego caíram a pique. Lay-off abrange já 642 mil trabalhadores e 40 mil empresas.

A travagem a fundo da economia, devido à pandemia e ao estado de emergência em vigor, gerou uma corrida aos centros de emprego. Desde o início do mês e até à última segunda-feira, surgiram mais 4098 desempregados por dia, o dobro do ritmo diário registado em igual período de 2019. Há agora cerca de 340 mil desempregados, mais 28 mil do que nos mesmos dias de abril do ano passado.

Os números, contidos num documento elaborado pelo Ministério do Trabalho, a que o JN teve acesso, mostram ainda que foram requeridas 12 114 novas prestações de desemprego, mais 65% que em igual período de 2019.

Encontrar trabalho também não será fácil perante a paralisação de quase todas as atividades económicas. Surgiram, nos primeiros seis dias deste mês, 122 ofertas diárias de emprego, o que representa apenas 21% das registadas em idêntico período de 2019. Houve também 114 colocações diárias, o equivalente a apenas 26% dos registos de há um ano no Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP).

A dispensa de trabalhadores precários tem sido denunciada. No entanto, as vítimas não são apenas os temporários. Houve 35 despedimentos coletivos, envolvendo 345 trabalhadores. São mais 28 empresas e 255 trabalhadores que no início de abril de 2019.

Desde que ficou acessível o lay-off simplificado (27 de março) e até dia 7 de abril, quase 40 mil empresas recorreram a este regime de suspensão dos contratos de trabalho ou redução da atividade. O empregador poupa cerca de 84% por empregado que fique em casa com o corte de um terço no salário bruto. Nesta altura, 642 mil trabalhadores, com uma massa salarial de 655 milhões de euros, estarão já abrangidos pela medida. Setorialmente, o setor do alojamento e restauração vai à frente, com 24,2% dos lay-offs, segue-se o comércio por grosso e a retalho, com 19,9% dos pedidos. As empresas que têm até dez trabalhadores representam 75,7% desta realidade.

Quase 109 mil trabalhadores por conta de outrem estão com apoios excecionais às famílias, a que se somam 18 mil "recibos verdes". Há cerca de 117 mil independentes com apoio à redução de atividade. E há perto de 19 mil baixas atribuídas por isolamento profilático.

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