Concertação

Parceiros dizem que acordo é "ponto de partida e não ponto de chegada"

Parceiros dizem que acordo é "ponto de partida e não ponto de chegada"

Os parceiros sociais consideram que o acordo de rendimentos é "pouco ambicioso" e acreditam que há espaço para afinar medidas nos próximos quatro anos.

Os parceiros sociais consideram que o Acordo de Médio Prazo sobre Melhoria dos Rendimentos e Competitividade, fechado ao final do dia de ontem com o governo, é apenas o princípio de um caminho a ser feito nos próximos quatro anos, concordando que há espaço para limar medidas.

António Saraiva, presidente da Confederação Empresarial de Portugal (CIP), apelida o acordo de "pouco ambicioso" e, por isso mesmo, acredita que é preciso "ir mais longe". "Aumentar os salários e os rendimentos foi um dos objetivos, é um ponto de partida e não um ponto de chegada. Temos quatro orçamentos no horizonte temporal da validade deste acordo, e desejamos que durante os quatro anos possamos carrear o que agora fomos pouco ambiciosos", defendeu durante a intervenção na cerimónia pública.

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Francisco Calheiros afina pelo mesmo diapasão ao considerar que o documento "é um princípio". "É um acordo para uma legislatura. Vamos trabalhar em concertação social para que possamos cumprir, para que haja um maior crescimento da economia e para termos um Portugal melhor", disse. O presidente da Confederação do Turismo de Portugal (CTP) destacou a aproximação entre o governo e os parceiros.

"Este é um ponto de partida que me dá alguma esperança. O documento inicial e final são completamente diferentes. Houve concertação e um aproximar de posições. E medidas que há muito que o setor do turismo reivindicava e conseguiu ver agora", adiantou.

Também o presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) destacou o afinar de agulhas entre as várias versões do texto, que viu luz verde ontem, assumindo que o resultado poderia ter sido melhor. "Subimos um degrau. O documento é muito diferente do que nos foi apresentado no início do processo; o setor agrícola não estava quase representado e passou a estar. Gostaríamos que fosse ainda melhor, mas para isso era preciso mais tempo e termos trabalhado de uma forma melhor", afirmou.

Já o líder da UGT, Mário Mourão, concordou que este foi o "acordo possível" e destacou as "medidas que proporcionam inegáveis vantagens para os rendimentos dos trabalhadores".

"Dada a imprevisibilidade dos próximos tempos, e dadas as dificuldades dos trabalhadores, como a guerra e a inflação, este acordo pode ser entendido como uma baliza que não permita a continuação de uma espiral incontrolável conducente a uma perda de poder de compra", justificou, destacando a "trajetória de crescimento do salário mínimo e a valorização dos salários médios em cerca de 20%".

Já a Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP) faltou à cerimónia de assinatura, num ato de protesto contra o processo negocial entre o governo e os parceiros. A CGTP ficou de fora do entendimento por considerar que o acordo hoje assinado não dá resposta aos problemas dos trabalhadores, reformados e pensionistas.

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