Economia

Passos diz que "aligeirar" programa de resgate contraria previsões de retoma

Passos diz que "aligeirar" programa de resgate contraria previsões de retoma

O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, disse, esta sexta-feira, que se o Governo decidisse "aligeirar" e "flexibilizar" a aplicação do programa de ajuda externa tal levaria a que as previsões de retoma económica não se concretizassem.

"Nesse caso, todos os nossos sacrifícios teriam sido em vão", considerou o primeiro-ministro, em Bruxelas, declarando que se tal sucedesse Portugal teria passado por um período de recessão "sem fazer o necessário" para retomar o crescimento económico no futuro.

Se "houvesse um desvio" na "determinação" do executivo em cumprir o programa de ajustamento económico, sublinhou, então as "previsões feitas desde o começo" para a retoma económica portuguesa "não se concretizariam".

Pedro Passos Coelho falava no final de um Conselho Europeu de dois dias, que reuniu na capital belga os 27 líderes e chefes de Governo da União Europeia.

Reprogramar fundos para o desemprego jovem

O primeiro-ministro confirmou que o Governo português apresentou à Comissão Europeia um programa de medidas de combate ao desemprego entre os jovens, que gostaria de ver em andamento já dentro de dois meses.

Trata-se de "uma iniciativa que já vinha sendo preparada em Portugal há algum tempo", sublinhou.

Quando em janeiro o executivo comunitário propôs uma ação concertada com os oito Estados-membros com taxas de desemprego juvenil mais elevadas, o Governo português aproveitou para "acelerar esses trabalhos" e comunicar a Bruxelas as intenções de Lisboa "quanto ao desenvolvimento de um programa que responda ao problema", explicou Passos Coelho.

"A intenção é o mais tardar até maio ter estes programas em andamento", acrescentou.

O primeiro-ministro indicou que a proposta baseia-se essencialmente numa reprogramação estratégica dos fundos estruturais e estimou que a concretização de diversas medidas possa representar valores entre os 400 e 600 milhões de euros, beneficiando pelo menos 70 mil jovens.

"Trata-se de um conjunto de medidas que visam criar uma espécie de passaporte jovem em tudo o que envolve estágios profissionais e primeiras oportunidades de emprego, em todos os setores, com algum destaque para a área da agricultura, mas em todas as áreas setoriais", explicou.

Regresso aos mercados em 2013

O primeiro-ministro reiterou igualmente o objetivo português de regressar aos mercados em 2013, esperando que o "bom andamento" de Portugal na aplicação do programa de ajuda externa "acabe reconhecido" pelos mercados.

"É o nosso objetivo. (...) Estamos tranquilos por saber que quer a União Europeia (UE) quer o Fundo Monetário Internacional (FMI) permanecerão a apoiar quer a Irlanda quer Portugal se alguma razão externa à concretização dos programas [de resgate] vier a impedir o regresso aos mercados", disse.

Lembrando que setembro de 2013, data prevista para o regresso de Portugal aos mercados, "é daqui a mais de ano e meio", Pedro Passos Coelho manifestou esperança no "desempenho macroeconómico previsto" para Portugal e na "tendência que se está a verificar para a estabilização financeira na Europa".