"Vela" do Noroeste é a que melhor pode impulsionar o país

"Vela" do Noroeste é a que melhor pode impulsionar o país
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Economistas, empresários e Banca avisam que já só temos menos de uma década para definir o futuro de Portugal

DEBATE

O melhor cenário de evolução económica para Portugal até 2030 é um de disrupção com velhos hábitos de desperdício em tempos de abundância, sem criar riqueza que sustente o futuro, defenderam os economistas, banqueiros e empresários presentes no Encontro Fora da Caixa, promovido segunda-feira no Porto, pela Caixa Geral de Depósitos (CGD). José Félix Ribeiro, o autor do estudo "Foresight Portugal 2030", explicou que o país é como um "navio com duas velas [Lisboa, com os serviços, e o Noroeste com a indústria e o saber] que nem sempre puxam na mesma direção". Vai ser precisa a vela do Noroeste para o país atingir o melhor cenário em 2030.

A pandemia e a guerra na Ucrânia mudaram a economia, explicou o CEO da CGD. Paulo Macedo recordou que "apesar de indicadores positivos para Portugal, temos agora um cenário adverso de menor crescimento". Ainda assim, destacou o contributo positivo das exportações e a robustez da generalidade das empresas, que diminuíram
o endividamento e, "nos anos da pandemia, aumentaram a autonomia financeira para 38,1%". A dívida pública continuou a subir.

O financiamento por parte da Banca está disponível. "Há dinheiro e há vontade", disse o líder da CGD. Mas, sublinhou, "é urgente a execução do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR)".

CLIMA

"Renováveis não sustentam reindustrialização"

As empresas temem que as exigências das alterações climáticas não sejam compatíveis com o crescimento. "As energias renováveis são intermitentes, só daqui a 30 anos serão relevantes", defendeu Manuela Tavares de Sousa. A CEO da Imperial teme que a "política energética ponha em causa a reindustrialização". O administrador da Prio Energy acrescentou que "o elétrico não vai chegar aos pesados tão cedo", por isso os combustíveis fósseis vão durar.

Nos próximos anos, Portugal, a Europa e o Mundo enfrentam desafios determinantes - como as alterações climáticas e a demografia -, alertou José Félix Ribeiro.

CRIAR RIQUEZA PRODUTIVA

"O Noroeste tem uma grande capacidade de modernizar tudo o que fazemos, com a grande ligação das universidades do Minho, Porto e Aveiro às empresas", defendeu o economista. Neste "navio com duas velas [Lisboa, com os serviços, e o Noroeste com a indústria e o saber], que nem sempre puxam na mesma direção", será a do Noroeste a capaz de mudar a sina do país que se "habituou a sermos pobrezinhos, porque assim ajudam-nos mais".

Rui Moreira já tinha escrito sobre as duas regiões que carregam Portugal, por isso recordou que "sem a finança e sem a Banca, as decisões políticas tomadas a favor do Terreiro do Paço" prejudicam o Noroeste. "A má notícia é que, para sermos um país de serviços, temos muito que andar: não temos localização central, falta formação humana e temos um Estado extremamente burocrático e ineficiente", criticou o autarca, preocupado que os fundos do PRR não criem "riqueza produtiva que mantenha
o crescimento mesmo depois de acabarem".

IDEIAS FORTES

Rui Moreira (Pres. CM Porto) - "O PRR vai ser mais um complexo de Mafra: obras megalómanas para tapar o buraco do Estado. Já deve ser a nossa 3.ª última oportunidade"

José Félix Ribeiro (Economista) - "Para crescer, temos de partir dos setores que sempre exportaram bem e vencer dando resposta aos segmentos que mais crescem"

João F. Rocha (Adm. Prio Energy) - "Há formas de se conseguir atingir a neutralidade carbónica com os combustíveis fósseis: os biocombustíveis e o hidrogénio vão ter o seu lugar"

Manuela T. Sousa (Presidente CA da Imperial) - "Temos planos para exportar 40 a 50% da produção, mas não é fácil e isso podia ser facilitado pela diplomacia e divulgação da marca Portugal"

Francisca Oliveira (Economista) - "O PRR pode ser uma nova oportunidade, mas depende de vontade política e de políticas públicas, não depende só da nossa vontade"

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