Economia

Patrões acusam Governo de empurrar sindicatos para a greve

Patrões acusam Governo de empurrar sindicatos para a greve

O presidente da Confederação Empresarial Portuguesa, António Saraiva, afirmou, esta terça-feira, que a falta de diálogo do Governo empurrou os sindicatos para a greve, acusando o executivo de "usar mal" a ferramenta da Concertação Social.

O dirigente empresarial considerou que "estas posições são fruto da conjuntura" que o país vive e do facto do Governo estar a usar mal "a ferramenta boa que é o diálogo social e a Concertação Social", acabando por empurrar a UGT para posições mais extremadas.

"Como parceiro sindical, subscritor do acordo social, [a UGT] tem sido pouco escutada ultimamente, tal como têm sido pouco escutados os parceiros empresariais e as posições acabam por se extremar. Uns mantêm o apelo ao diálogo, outros são empurrados para posições um pouco mais extremistas", sublinhou António Saraiva, à margem de uma conferência organizada pela Federação das Indústrias Portuguesas Agroalimentares.

"Eu colocaria o acento tónico na falta de diálogo do Governo que, na minha visão, terá empurrado a UGT para o aperto em que se encontra e para esta greve anunciada para 27 de junho", acrescentou.

António Saraiva afirmou, no entanto, que não está esgotado o diálogo.

"O diálogo não está esgotado e é aí que temos de encontrar as soluções para os problemas que são muitos. Há indignação dos problemas que é legítima, há maus sinais do Governo que são óbvios, temos de corrigir estas desigualdades que estão instaladas na sociedade portuguesa, mas não é extremando posições e crispando as partes que as resolveremos", declarou o representante do patronato, apelando à procura de "soluções em conjunto" em sede de Concertação Social.

O presidente da CIP sublinhou que é necessário redesenhar um novo acordo com "todos os parceiros sociais, sem exceção", assente nas matérias que faltam cumprir do anterior acordo, assinado em janeiro de 2012 e "enriquecido com outras matérias que este ano e meio legitíma, aconselha e exige".

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Para António Saraiva, a greve é "o último recurso" e o importante não é apelar à queda do Governo, que serviria apenas para associar instabilidade social às dificuldades com os mercados, mas sim ter "uma voz firme" em Bruxelas.

"Temos de ter mais tempo para pagar a dívida e prazos mais dilatados porque este programa de ajustamento é demasiado doloroso pelo exíguo tempo de que dispomos. Há que renegociar amortização da dívida, mas isso não em Portugal, é em Bruxelas", frisou.

Sobre o Orçamento Retificativo, disse que o problema não é das previsões e sim do modelo que está a ser seguido, defendendo a redefinição de políticas e promoção do crescimento económico.

"Os retificativos vêm corrigir previsões anteriores e teremos outros retificativos a corrigir este erros de previsão agora. Não são as previsões que estão erradas, é o modelo que esta errado", sublinhou o líder da CIP.

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