Economia

Petrolíferas estão a ter maiores margens de lucro do que no pico da crise em 2008

Petrolíferas estão a ter maiores margens de lucro do que no pico da crise em 2008

O sector petrolífero está a ter uma margem superior em cada litro de gasolina do que tinha no pico da crise dos combustíveis, em 2008, por causa das cotações mais baixas nos produtos refinados.

Uma análise aos preços dos produtos refinados (gasolina 95) nos mercados internacionais, aos preços em bomba e às variações de fiscalidade (tanto agora como em 2008) feita pela Associação de Empresas Petrolíferas (APETRO) mostra que a margem bruta de referência do sector petrolífero cresceu pelo menos 1,5 cêntimos em relação ao pico de 2008.

Tendo em conta que no ano passado se venderam em Portugal 1,681 mil milhões de litros de gasolina 95 este aumento da margem traduz-se num acréscimo de pelo menos 25,2 milhões de euros nas receitas do sector só com este tipo de combustível.

A APETRO diz que a margem mais dilatada se deve à redução dos consumos de gasolina e o aumento dos custos e sublinha que não é líquido que esse aumento se traduza em mais lucro.

"Verificamos um agravamento da margem bruta de referência em cerca de 1,5 cêntimos por litro na gasolina. Para isto contribuiu a redução significativa do consumo da gasolina, cerca de 5 por cento ao ano, o que significa que os custos unitários se agravaram, e a própria inflação dos custos associados à actividade", disse à Lusa António Comprido, secretário-geral da APETRO.

"O aumento do custo da energia, em electricidade e outras, dos custos do pessoal, nomeadamente salários, e outros custos terão contribuído para esse agravamento da margem bruta de referência, que não significa de maneira nenhuma que se tenha traduzido numa maior margem de lucro dos distribuidores e dos retalhistas", considerou.

A petrolífera BP admite que está a ter maior margem na gasolina agora do que no pico dos combustíveis em 2008, mas tal como a APETRO justifica que este aumento cobre custos acrescidos com armazenagem, distribuição e de operação da própria empresa.

"Importa referir que sobre o preço dos produtos refinados acrescem os custos de armazenagem e custos de distribuição sobre todos os produtos que constituem o nosso 'core business'", admitiu à Lusa o director de comunicação da BP, Luís Roberto.

Além da armazenagem e distribuição, a BP também admite custos acrescidos com a sua própria organização, incluindo custos com salários e outros.

Também a Galp refere que a margem bruta é maior agora, mas contrapõe que "reflecte, semana após semana, os valores médios das cotações do gasóleo e da gasolina no mercado europeu e em linha com o que acontece nos restantes países da Europa", em particular na Espanha.

Apesar de as contas da APETRO, corroboradas pela BP e pela Galp, indicarem que o sector petrolífero está a ter uma margem bruta superior na gasolina à que tinha em 2008, as contas da Autoridade da Concorrência indicam que não.

"Não se pode concluir que a diferença atenuada entre a diminuição dos preços médios antes de impostos nacionais e dos respectivos preços Platts NWE FOB (ex-refinaria) de referência [...] reflicta necessariamente um aumento das margens logística e/ou retalhista", escreve a AdC em resposta à Lusa.

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