Salários

Por cada euro ganho pelo colega, elas só recebem 88 cêntimos

Por cada euro ganho pelo colega, elas só recebem 88 cêntimos

Nos cinco setores de atividade que mais empregam no país agravaram as disparidades salariais em 2019 (3145041)

As trabalhadoras portuguesas levaram para casa, em 2019, apenas cerca de 88 cêntimos por cada euro do salário ganho pelos colegas homens com iguais qualificações, habilitações, tempo de carreira, na mesma profissão e setor de atividade, mostram novos dados do Gabinete de Estratégia e Planeamento do Ministério do Trabalho.

Segundo o barómetro das diferenças remuneratórias entre mulheres e homens, o chamado "pay gap" ajustado - que neutraliza diferenças relacionadas com experiência e competências - ficou em 12,4% na comparação das remunerações, que incluem prémios, complementos e subsídios. Já no salário-base, a diferença é um pouco menor, de 9,8%, traduzindo-se para as mulheres em 90 cêntimos de retribuição por cada euro pago aos homens.

Estes dados, publicados na última semana, conhecem uma ligeira melhoria face a 2018, quando as diferenças salariais ajustadas das remunerações-base estavam em 11,1%. Não houve, no ano anterior, divulgação das diferenças ajustadas na retribuição total, pelo que não é possível saber se houve melhoria.

Pior nas fábricas

O barómetro mostra que as disparidades salariais em 2019 atenuaram-se em 11 setores e agravaram-se em nove. Entre estes nove setores, estão os cinco que mais empregam em Portugal: indústrias, comércio, atividades administrativas e serviços de apoio, saúde humana e apoio social, e alojamento e restauração.

É nas fábricas que as mulheres portuguesas enfrentam a maior diferença salarial já ajustada face aos colegas em pé de igualdade. Ganham menos um quinto do que eles, 19,8% que comparam com 15,8% em 2018.

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Nas lojas e armazéns grossistas do país, também passaram a receber menos 11,4% e nas atividades administrativas e de serviços de apoio a disparidade das remunerações também subiu para 9,7%. Já, na saúde e também no sector social, as mulheres passaram a ganhar menos 10%. No alojamento e restauração, a penalização das mulheres aumentou para 8%.

A desigualdade salarial aumentou ainda nos transportes (para 10,1%), na Banca e nas seguradoras (para 9%), na Educação ( para 10,1%), e na Construção (para 12,7%)

Já entre os sectores que atenuaram a desigualdade salarial, destacam-se organizações internacionais sediadas em Portugal (para 2,9%), minas e pedreiras (5,7%), empresas de eletricidade e gás (4,5%), e empresas de águas e saneamento (5,7%).v

Sem o filtro que nivela qualificações e experiência, trabalhadoras ganham apenas 83 cêntimos por cada euro do salário dos homens (menos 17,1%).

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