Desemprego

Portugal "ainda está longe da verdadeira inversão" no desemprego

Portugal "ainda está longe da verdadeira inversão" no desemprego

A secretária-geral adjunta da UGT afirmou que apesar da estabilização do desemprego nos 15,3% em fevereiro, Portugal "ainda está longe da verdadeira inversão da tendência" e considerou que a fuga de jovens para o estrangeiro "ajuda às estatísticas".

O Eurostat, gabinete oficial de estatísticas da União Europeia, divulgou esta terça-feira que após 10 meses consecutivos de queda, a taxa de desemprego em Portugal estabilizou nos 15,3% desde dezembro de 2013, ao manter-se em janeiro e em fevereiro neste valor, o quinto mais elevado da União Europeia. Contudo, entre os jovens subiu para os 35%.

"Apesar dos sinais de desaceleração do ritmo de crescimento da taxa de desemprego, esta ainda está longe da verdadeira inversão da tendência e mantém-se muito elevada", disse à Lusa a secretária-geral adjunta da UGT, Paula Bernardo.

A secretária-geral adjunta da UGT considera "preocupante" o desemprego de longa duração, que "atinge cerca de metade dos desempregados", e o que atinge os mais idosos, cuja capacidade de reinserção é muito difícil, mas centra-se no aumento da taxa de desemprego entre os jovens, sublinhando que a mesma está a evoluir em sentido contrário à da média da União Europeia, que regista uma ligeira redução.

"Há um elevado nível de emigração entre os jovens, que pode ser positiva para as estatísticas e a sua manutenção pode, além dos custos reais que tem, comprometer um crescimento económico para o futuro", alertou.

Situações para as quais Paula Bernardo considera "urgente" haver uma reflexão e políticas ativas de emprego que vão ao encontro das necessidades dos desempregados e que estejam enquadradas no próximo quadro comunitário.

"Para nós, é muito importante e urgente que sejam discutidas em concertação social a atualização do salário mínimo nacional, que se mantém desde 2011 nos 485 euros, e os mecanismos de desbloqueamento de negociação coletiva", sublinhou.

Em termos homólogos, ou seja, face a fevereiro de 2013, o desemprego em Portugal recuou 2,2 pontos percentuais (pois há um ano era de 17,5%), sendo esta a terceira maior descida entre todos os Estados-membros, apenas atrás de Hungria e Letónia.

Quanto ao desemprego jovem (pessoas com menos de 25 anos), a taxa subiu em Portugal pelo segundo mês consecutivo: depois de baixar para 34,3% em dezembro de 2013, aumentou para 34,6% em janeiro e para 35% em fevereiro, um dos valores mais elevados da UE e muito acima das médias da zona euro (23,5%) e do conjunto da UE (22,9), que conheceram, ambas, ligeiros recuos em fevereiro, de 0,1%, face a janeiro.

Em termos homólogos, a taxa de desemprego jovem em Portugal baixou ainda assim 5 pontos percentuais, pois em fevereiro do ano passado alcançara os 40,6%.

Em termos globais, a taxa de desemprego também se manteve estável na zona euro, ao fixar-se nos 11,9% em fevereiro, um valor inalterado desde outubro de 2013, enquanto no conjunto da UE a 28 conheceu um ligeiro recuo, de uma décima, ao baixar de 10,7% em janeiro para 10,6%.

O Eurostat estima assim que haja atualmente 25,9 milhões de desempregados na União Europeia, 18,9 milhões dos quais no espaço monetário único, sendo a Grécia e a Espanha, de forma destacada, os países mais atingidos pelo desemprego, apresentado taxas de 27,5% e 25,6%, respetivamente (no caso grego os dados referem-se a dezembro).

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