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Portugal deveria concentrar-se nas reformas e menos nas agências de rating

Portugal deveria concentrar-se nas reformas e menos nas agências de rating

Portugal está a prestar demasiada atenção às agências de rating, mas deveria estar concentrado nas "difíceis reformas" que tem pela frente, considerou em Lisboa um responsável do Departamento do Tesouro norte-americano.

"Acho que se está a tomar demasiada atenção às agências de rating em si mesmas. As agências têm uma opinião e expressam-na. Mas o mais importante é que os países como Portugal concretizem as reformas difíceis que têm pela frente e que consigam resultados com essas reformas. É isso é que vai repor a prosperidade e o crescimento em Portugal", disse Christopher Smart, um responsável do Departamento do Tesouro norte-americano

Especialista nas relações com a Europa e a Eurásia, Christopher Smart falou à Lusa após uma reunião no ministério das Finanças, onde abordou as acções empreendidas por Portugal para fazer frente à crise da dívida.

"O mais importante são as reformas em si. A maior parte da atenção deve estar virada para a difícil agenda que Portugal tem pela frente", acrescentou Christopher Smart, que afastou ainda qualquer risco para as economias europeias relacionadas com um eventual 'default' dos Estados Unidos.

"Não há qualquer risco de os Estados Unidos entrarem em incumprimento. Estamos empenhados, os líderes no Congresso e a administração [de Barack Obama] disseram, sem margem para dúvidas, que iriam resolver o assunto e assim farão", afirmou o responsável do Departamento do Tesouro.

O Congresso norte-americano e o presidente Barack Obama têm até 2 de Agosto para aumentarem o limite de endividamento dos Estados Unidos, acima dos actuais 14,3 triliões de dólares. Caso não consigam, os Estados Unidos deixam de poder cumprir as suas obrigações de pagamento para com pessoas ou entidades que possuem títulos do Tesouro, bem como deixam de poder pagar aos beneficiários da Segurança Social, ou seja, aos reformados.

Esse eventual incumprimento lançaria uma nova crise nos mercados financeiros a nível mundial.

Por outro lado, Christopher Smart escusou-se a apontar a visão dos Estados Unidos para a melhor forma de os líderes europeus liderem com a crise da dívida.

"Os líderes europeus já declararam que estão empenhados em resolver a incerteza nos mercados atuais [relacionada com a crise da dívida] e têm capacidade de o fazer. Nós [Estados Unidos] entendemos que os líderes europeus estão empenhados e sabemos que têm capacidade de resolver", disse o responsável do Tesouro, apelando no entanto para uma resposta rápida.

"A Europa é que tem de decidir. Estas decisões são muito difíceis e reconhecemos isso, mas obviamente quanto mais rápida e quanto mais resoluta for a resposta [dos Estados europeus] melhor", declarou.

O mesmo responsável também evitou comentar as críticas em vários sectores nos Estados Unidos de que a Europa não tem uma estrutura política que consiga dialogar de forma eficiente com Washington, dizendo apenas que cabe aos europeus arrumarem a sua própria casa.

"O mais importante [para os Estados Unidos] é que a Europa seja sólida, próspera e que cresça. A forma como a Europa se organiza tem de ser decidida pelos europeus", concluiu.