Transportes

Portugal sem margem para perder o comboio da ferrovia europeia

Portugal sem margem para perder o comboio da ferrovia europeia

Desde que Portugal entrou na União Europeia, encolher foi a palavra de ordem no caminho de ferro. Nos últimos 45 anos, fecharam mais de mil quilómetros de linhas ferroviárias, três capitais de distrito ficaram sem acesso ao comboio e o Interior ficou mais longe dos carris.

Com o país na presidência do conselho da UE, arranca, hoje, o ano europeu dedicado ao transporte ferroviário. É um comboio que Portugal não pode perder.

"Este pode ser o momento de viragem relativamente a uma aposta que foi, muitas vezes, enunciada mas não concretizada. Atualmente, não só temos o enquadramento interno como o enquadramento externo", destaca o líder europeu da União Internacional dos Caminhos de Ferro. Francisco Cardoso dos Reis está há praticamente cinco décadas na ferrovia.

Inversão muito lenta

Pela positiva, além do comboio na ponte 25 de Abril, em 1999, o comboio pendular chegou a Braga e Faro, por causa do Euro 2004. De resto, a ligação entre Lisboa e Porto continua a demorar três horas pela congestionada linha do Norte e o comboio deixou de chegar aos distritos de Bragança, Vila Real e Viseu. Em Portalegre, a estação fica a mais de dez quilómetros do concelho.

A inversão do ciclo começou muito lentamente, em fevereiro de 2016, com a apresentação do plano Ferrovia 2020, num investimento de 2,1 mil milhões de euros. Com suporte europeu, a rede ferroviária está a tornar-se cada vez mais elétrica, mas não há mexidas nos troços.

A única exceção é a construção da linha Évora-Elvas - que colocará Lisboa e Madrid a cinco horas de distância depois de 2023 - e a reabertura da ligação entre Covilhã e Guarda. 2021 é um ano de grande expectativa. Em abril, será apresentado o primeiro plano ferroviário nacional. Será a base para discutir o papel do comboio no país, que deverá chegar a todas as capitais de distrito e garantir a ligação com outros meios de transporte.

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A este plano, vai somar-se o início da execução do Programa Nacional de Investimentos para 2030 (PNI 2030). Só para a ferrovia, haverá 10,5 mil milhões de euros. "É algo que nunca aconteceu em Portugal", destaca Cardoso dos Reis.

É à Infraestruturas de Portugal (IP) que caberá pôr nos carris, por exemplo, uma nova linha Lisboa-Porto. As duas cidades ficarão a uma 1.15 horas de distância a partir de 2030. O comboio de alta velocidade terá paragens em Lisboa-Oriente, Leiria, Coimbra, Aveiro e Porto-Campanhã, destaca o vice-presidente da IP.

A nova linha também vai servir o resto do país: por exemplo, do Porto à Guarda, a redução do tempo de viagem será de 53 minutos. Do Porto a Leiria, a redução será mais expressiva, de duas horas e 12 minutos.v

A partir deste ano, Porto e Lisboa ficarão a duas horas de distância, com a abertura do primeiro troço (Porto-Soure) da linha de alta velocidade entre as cidades.

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