Ambiente

Portugal tem dois projetos para comboios a hidrogénio

Portugal tem dois projetos para comboios a hidrogénio

Portugal participa em dois projetos para desenvolver comboios a hidrogénio. A CP lidera um grupo nacional para estudar a transformação das automotoras a gasóleo que circulam na Linha do Vouga. A Infraestruturas de Portugal (IP) integra um consórcio com mais três países para adaptar um veículo elétrico.

Os dois projetos para comboios regionais dependem, contudo, do combustível europeu para chegarem à fase de testes, a partir de 2023.

A CP lidera o projeto H2Rail, que contempla um investimento de 34,6 milhões de euros e que só deverá arrancar se obtiver financiamento europeu.

O H2Rail conta com parceiros como CaetanoBus, Nomad Tech, Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto e a Associação Portuguesa para a Promoção do Hidrogénio.

O projeto da CP implica seis fases. Nos primeiros seis meses, serão necessários estudos de viabilidade técnica e financeira para transformar a automotora e avaliar a logística dos postos de abastecimento.

Caso haja sucesso nas duas primeiras fases, será necessário transformar uma automotora a gasóleo Allan num veículo a hidrogénio.

Reunidas as condições, a CP poderá criar pontos de abastecimento e transformar as sete automotoras da série 9630. O processo deverá demorar ano e meio e terá de ser encontrado um espaço próprio nas oficinas de Guifões.

PUB

O Vouga será o palco dos testes de serviço. Esta linha vai manter-se com bitola métrica e não será eletrificada, pelo menos, até ao final desta década, segundo o programa de investimentos até 2030.

Projeto internacional

Os estudos e testes do protótipo da CP vão decorrer com o apoio da IP, que participa no projeto FCH2Rail. A gestora da rede ferroviária nacional vai disponibilizar algumas linhas para os ensaios da automotora elétrica Civia, da espanhola CAF.

Os ensaios deverão decorrer em 2023 ou 2024, em linhas transfronteiriças como a do Minho ou o futuro troço Évora-Caia.

O projeto da IP prevê um investimento de 14 milhões de euros e conta com parceiros de Espanha, Bélgica e Alemanha. Tudo aponta para que esta iniciativa arranque em janeiro e com financiamento comunitário de 10 milhões de euros.

Aposta nos regionais

Os dois protótipos de comboios a hidrogénio vão servir, se tudo correr bem, para utilizar no serviço regional.

"Há uma utilização menos exigente, com menos paragens e velocidades mais baixas", justifica ao JN/Dinheiro Vivo o vice-presidente da CP, Pedro Moreira.

Espera-se que o Vouguinha a hidrogénio consiga uma autonomia mínima de 150 quilómetros, ou seja, dará para uma viagem de ida e volta entre Sernada do Vouga e Espinho com reserva de combustível.

Para a IP, a utilização do hidrogénio nos comboios pode servir como solução para terminais ou parques de manobras. v

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG