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Portugal vai pescar menos 400 toneladas de bacalhau na Noruega

Portugal vai pescar menos 400 toneladas de bacalhau na Noruega

Portugal vai poder pescar menos 437 toneladas de bacalhau em águas da Noruega em 2021. O ministro do Mar, Ricardo Serrão Santos, admite que não são boas notícias. Os pescadores dizem que, em matéria de bacalhau, este é "um ano para esquecer" e lamentam as sucessivas "cedências" da União Europeia (UE), primeiro ao Reino Unido, depois à Noruega.

Contas feitas, Portugal ficou com uma quota de "2607 toneladas em águas da zona económica exclusiva da Noruega e de 2274 toneladas ao largo do arquipélago de Svalbard", explicou, esta terça-feira, o ministro do Mar, no final do Conselho das Pescas dos 27. Quedas de 10 e 6% face a 2020, numa altura em que, considerando os dois pesqueiros, as possibilidades totais de captura subiram 20%.

"É o pior ano da década. Não se entende! Primeiro, a União Europeia deu ao Reino Unido 25% da quota de bacalhau no Svalbard, sem se perceber porquê. Depois, na distribuição, Portugal fica a perder quota. Ou seja, pagamos nós pelo acesso de outros a águas britânicas", frisa Luís Vicente, da Associação dos Armadores das Pescas Industriais (ADAPI).

"Nenhuma redução é bem recebida", reconheceu o ministro. Luís Vicente diz que Portugal, Espanha, França e Irlanda lavraram um protesto, mas "palavras não chegam".

A verdade é que, frisa, o acordo chegou "tarde e a más horas", tendo em conta que, em águas da Noruega a pesca se faz "até à Páscoa". E depois, com as possibilidades de captura de bacalhau a aumentarem 20%, a UE vai "perdendo terreno", cedendo a Oslo e, "de corte em corte, desaparecendo".

"A comissão não pode aceitar ser tratada assim. A Noruega vende a Portugal grande parte das 60 mil toneladas de bacalhau que consumimos por ano. Se beneficia por estar na Europa, temos também que fazer exigências", sublinha

O acordo tripartido entre a UE, o Reino Unido e a Noruega está, diz Serrão Santos, agora terminado, mas, quanto ao Svalbard, Luís Vicente ainda teme problemas. É que a UE entende poder pescar no Svalbard - território ártico norueguês - mais de 28 mil toneladas. A Noruega diz que só aceita 17 mil. A ADAPI teme que, atingidas as 17 mil toneladas, haja problemas com a polícia norueguesa. "É uma bomba-relógio", remata.

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Tudo isto, explica ainda, somado aos cortes de 86% nas possibilidades de captura na área da Organização de Pescas do Atlântico Noroeste (NAFO) faz Luís Vicente temer um ano "negro" para a frota portuguesa do bacalhau.

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