Economia

"Prémios justificados mesmo em situação difícil", diz "Águas de Portugal"

"Prémios justificados mesmo em situação difícil", diz "Águas de Portugal"

O presidente da empresa “Águas de Portugal”, Pedro Serra, disse esta sexta-feira, que os prémios aos funcionários “são totalmente justificados”, em sentido contrário ao relatório do Tribunal de Contas, que conclui pela “debilidade económico-financeira” da empresa.

“Mesmo uma empresa em situação económica difícil pode atribuir prémios aos trabalhadores”, disse Pedro Serra, em declarações à SIC. “Trata-se de premiar o trabalhador pelo seu mérito e se quero ter bons trabalhadores, e quero, tenho de premiar os melhores”, disse o presidente do grupo “Águas de Portugal”.
Pedro Serra esclareceu que já foram resolvidas as irregularidades detectadas pelo Tribunal de Contas na atribuição de prémios. “Já corrigimos isso. Faz parte do contraditório que fiz chegar ao Tribunal de Contas”, esclareceu.

O presidente do grupo Águas de Portugal cenário de “debilidade económico-financeira” revelado num relatório do Tribunal de Contas, divulgado esta quinta-feira. “Os números são relativos a 2006. Em 2007 já temos lucros de 2,7 milhões de euros”, disse, considerando normal a existência de uma passivo elevado, em função dos investimentos avultados que a empresa teve de fazer.

Diferentes visões de modelo de negócio

O TC exortou a empresa a encontrar uma “solução célere para regularizar os desvios tarifários que têm vindo a ser contabilizados", algo que Pedro Serra relevou. “As nossas contas são auditadas todos os anos. Se os auditores considerassem os desvios tarifários irregulares não as aprovariam”, disse, em defesa de visões diferentes sobre os mesmos números. “Há um diferente entendimento sobre o nosso modelo de negócio”, disse.

Os défices tarifários resultam de um modelo de negócio em que, até que estejam aptas as infra-estruturas necessárias à prestação do serviço, são praticadas "tarifas de equilíbrio" e nas as "tarifas necessárias" ao equilíbrio financeiro e económico da concessão.

Segundo o Grupo, há muitos casos em que as tarifas do serviço de abastecimento e tratamento de águas praticadas neste momento "são significativamente abaixo" daquelas que possibilitariam a "recuperação de capitais investidos e a remuneração mínima consagrada nos contratos de concessão".

"Não é verdade que o Grupo esteja em debilidade financeira. Se assim fosse não iríamos assinar hoje com o Banco Europeu de Investimento um contrato para apoio financeiro no montante de 135 milhões de euros", afirmou Pedro Serra à agência Lusa.

Com o recurso a este empréstimo o montante de endividamento da Águas de Portugal rondará os 2 mil milhões de euros, quando o montante global de investimento é de 3,7 mil milhões de euros.

Não faz sentido concluir pela precariedade da empresa

Para o conselho de Administração da Águas de Portugal (AdP), "não faz sentido concluir pela precariedade financeira de longo prazo, visto que isso é deter como princípio implícito que os contratos hoje existentes não serão para cumprir".

Apesar de globalmente discordar do Tribunal de Contas, Pedro Serra admite que a auditoria identificou situações que a própria administração já corrigiu ou está a corrigir.

Um dos exemplos é a internacionalização, com o Tribunal de Contas a afirmar que a situação de fraqueza e os resultados negativos do grupo se devem sobretudo ao "falhanço empresarial" da internacionalização do grupo para o Brasil e Cabo Verde.

Pedro Serra reconheceu que a internacionalização para o Brasil não correu bem, "tal como aconteceu" com outras empresas que na mesma altura tentaram investir naquele país, fora ou dentro do sector das águas.

Por isso mesmo, uma das orientações estratégicas da actual administração é o desinvestimento na área internacional, com a venda dos activos detidos em Cabo Verde e no Brasil.

Após a auditoria, o Tribunal de Contas decidiu recomendar ao Estado, único accionista do Grupo, uma "imediata e eficaz reestruturação do sector promovida pelo Governo português e articulada quer com o Grupo Águas de Portugal quer com as Autarquias locais envolvidas".

* Com Lusa

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