Economia

Presidente eleito finlandês diz que Portugal tomou "medidas certas"

Presidente eleito finlandês diz que Portugal tomou "medidas certas"

O Presidente eleito da Finlândia, Sauli Niinistö, afirmou, esta sexta-feira, que "o Governo português tomou medidas na direcção certa" e recusou antecipar a necessidade do apoio finlandês a uma eventual reestruturação da dívida ou um segundo resgate a Portugal.

Sauli Niinistö escusou-se a dar conselhos mas explicou que, enquanto ministro das Finanças durante a crise económica que a Finlândia atravessou nos anos 1990, cortou drasticamente na despesa, com excepção da investigação e desenvolvimento, e baixou simultaneamente os impostos.

"Tenho visto que o Governo português tomou medidas na direcção certa, sei que será duro e que continuará a ser no futuro, mas é a forma de resolver os problemas", afirmou Sauli Niinisto aos jornalistas em Helsínquia.

Questionado sobre o apoio da Finlândia a uma eventual reestruturação da dívida ou um segundo resgate a Portugal, o Chefe de Estado eleito considera que "é muito cedo para antecipar esse tipo de coisas", lembrando que não lhe cabe a si decidir sobre esse apoio, que é uma competência do Parlamento.

"Mas, tanto quanto eu entendi, estão a circunscrever o problema da Grécia à Grécia", afirmou, referindo-se a um eventual risco de contágio e sublinhou que não tem ouvido "más notícias vindas de Portugal" ultimamente.

A receita finlandesa para a crise económica que viveu no início dos anos 1990, quando o desemprego disparou e o país teve que desvalorizar moeda, passou por um corte generalizado na despesa pública, atribuindo exclusivamente mais recursos à investigação e desenvolvimento, traçando uma estratégia rumo a uma economia competitiva baseada na tecnologia avançada, nomeadamente de comunicações.

"Foi uma situação diferente da que estamos a enfrentar agora, porque o mundo exterior nos anos 1990 estava bastante bem, tínhamos a possibilidade de procurar crescimento sendo activos. Actualmente, estamos a enfrentar problemas praticamente globais", ressalva.

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"O que fizemos foi cortar fortemente a despesa pública, mas reduzindo os impostos ao mesmo tempo", afirmou.

A única despesa aumentada foi com investigação e desenvolvimento e "pareceu valer a pena", declarou, porque a economia finlandesa "começou a crescer rapidamente nos últimos anos da década de 1990".

Sauli Niinistö, um conservador europeísta do Partido de Coligação Nacional, foi eleito no domingo na segunda volta das eleições presidenciais e, apesar de só tomar posse no dia 1 de março, estará hoje de manhã na reunião de chefes de Estado sem poderes executivos, o chamado "grupo de Arraiolos", onde também conhecerá o Presidente da República português, Cavaco Silva.

A Presidente cessante, Tarja Halonen, do Partido Social Democrata, deixará, assim, de ser a única chefe de Estado que resta da formação original do "grupo de Arraiolos", constituído em 2003 por iniciativa do então Presidente português Jorge Sampaio.

Integram o grupo Portugal, Alemanha, Letónia, Finlândia, Itália, Áustria, Hungria, Eslovénia e Polónia, mas o Chefe de Estado polaco não compareceu no encontro que começou sexta-feira em Helsínquia.

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