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Prestação média do crédito à habitação cresceu mas só 5% supera os 630 euros

Prestação média do crédito à habitação cresceu mas só 5% supera os 630 euros

A prestação média do crédito à habitação registou um "aumento significativo" nos últimos meses, ficando em outubro 18,7% acima de outubro de 2021, mas apenas 5% dos contratos tinham prestação superior a 630 euros, informou esta quarta-feira o INE.

"Nos últimos meses tem-se verificado um aumento significativo do valor médio da prestação do crédito à habitação, com taxas de variação homóloga superiores às do Índice de Preços no Consumidor (IPC)", refere o Instituto Nacional de Estatística (INE) numa análise descritiva aos contratos de crédito, divulgada hoje na sequência dos "aumentos sucessivos das taxas de referência do mercado monetário interbancário" desde o início do ano, com impacto nas taxas de juro implícitas do crédito à habitação (TJICH) e no valor das prestações a pagar pelas famílias.

Assim, detalha, "em outubro de 2022 a prestação média para a finalidade 'aquisição de habitação' foi 18,7% superior à do mês homólogo, enquanto o IPC registou uma taxa de variação de 10,1%".

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Segundo o INE, "até abril de 2020 a variação destes dois indicadores era relativamente próxima", mas "as moratórias aplicadas no crédito à habitação, em consequência da pandemia, provocaram variações negativas da prestação média, de cerca de 9%, até junho de 2021".

"Desde então, a variação da prestação média tem sido sistematicamente superior à do IPC, mesmo após a dissipação do efeito de base que se verificou até junho 2022", nota.

Ainda assim, o INE destaca que "mais de 75% de contratos de crédito à habitação em vigor em outubro de 2022 tinham uma prestação entre 100 e 400 euros mensais e apenas 5% tinham uma prestação superior a 630 euros".

"Saliente-se ainda a diferença significativa entre a média (305 euros) e a mediana (257 euros), em consequência da forte assimetria da distribuição", refere, precisando que "25% dos contratos apresentam uma prestação superior a 355 euros e apenas 5% dos contratos uma prestação superior a 630 euros".

A análise feita pelo INE evidencia ainda que "os contratos celebrados em 2022 apresentam uma prestação média (423 euros) e mediana (365 euros) 38,7% e 42,0% superiores às da totalidade dos contratos, mantendo uma distribuição assimétrica, com 95% dos contratos a apresentarem uma prestação inferior a 940 euros".

"Em relação aos valores contratados, os contratos celebrados desde o início deste ano apresentam valores contratados médios (131.000 euros) e medianos (117.000 euros) superiores à da totalidade dos contratos (95.000 euros e 81.000 euros, respetivamente)", avança.

Segundo o instituto estatístico, "90% dos contratos celebrados em 2022 apresentam um montante contratado entre 40.000 e 280.000 euros, contrastando com a totalidade dos contratos, que estão compreendidos na mesma proporção entre os 30.000 e os 200.000 euros".

Analisando a evolução do montante contratado para os créditos atualmente em vigor em função do momento da sua contratação, o INE concluiu que, "à exceção do período entre 2007 e 2014, é notório um aumento constante do valor contratado mediano, passando de pouco mais de 10.000 euros no início dos anos 80 para mais de 100.000 euros desde 2020".

"O forte crescimento observado para o período mais recente é indissociável do próprio aumento do preço da habitação", destaca, explicando que "quando comparado com a série do Índice de Preços da Habitação (IPHab) iniciada em 2009, é evidente a existência, em ambos os casos, de tendências crescentes, embora menos acentuada no caso do valor contratado mediano".

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