Greve

PSP no Porto de Lisboa para controlar retirada de contentores

PSP no Porto de Lisboa para controlar retirada de contentores

A PSP está, esta terça-feira, no Porto de Lisboa, em Alcântara, numa medida de prevenção para a retirada de contentores retidos há cerca de um mês, quando começou a greve dos estivadores.

A PSP deslocou 30 elementos para a saída do terminal de contentores do Porto de Lisboa, em Alcântara. Segundo o comissário Hugo Abreu, estão no local quatro Equipas de Intervenção Rápida.

"Estamos aqui para garantir que quem se quer manifestar consiga manifestar-se e garantir que quem quer trabalhar o consiga também. O papel da PSP no local é garantir que os direitos, tanto à greve, como ao trabalho, não colidam, e hoje há uma convergência de fatores para que tudo corra dentro da normalidade', adiantou Hugo Abreu.

O porta-voz da PSP disse que "ninguém convocou a presença da PSP", adiantando que, como a polícia teve acesso a informação de que haveria uma manifestação/greve no Porto de Lisboa, deslocaram alguns meios para o local.

Cerca de quatro dezenas de estivadores estão concentrados junto à entrada do Porto de Lisboa, em Alcântara, constatou a agência Lusa no local.

No Porto de Lisboa entraram, até às 09 horas, três camiões para recolher contentores, mas o primeiro saiu vazio, perante o aplauso dos estivadores, enquanto um segundo, pelas 09.15 horas, saiu carregado, tendo o motorista sido insultado pelos estivadores em greve.

Este foi um dos momentos de tensão dos estivadores, que se encontram há mais de um mês em greve.

Esta terça-feira, a empresa de trabalho portuário Porlis, que o sindicato acusa de empregar estivadores em situação precária, vai tentar movimentar as centenas de contentores que se encontram bloqueados desde 20 de abril, altura em que começou a greve dos estivadores.

De acordo com António Mariano, presidente do Sindicato dos Estivadores, "o Porto de Lisboa não tem serviços mínimos, o que constitui uma violação do direito à greve". António Mariano denunciou a existência de "fura greves no interior do Porto de Lisboa", os quais foram acompanhados pelas forças de intervenção da PSP.

O Porto de Lisboa está parado há 35 dias e, segundo António Mariano, "os estivadores vão continuar no local a sensibilizar para o que está a acontecer". "A saída de carros com mercadoria não está a ser efetuada de forma legal", queixou-se o sindicalista.

Na segunda-feira, os operadores do Porto de Lisboa anunciaram que vão avançar com um despedimento coletivo por redução da atividade, depois de o Sindicato dos Estivadores ter recusado, na sexta-feira passada, uma nova proposta para um novo contrato coletivo de trabalho.

"Chegamos ao limite. Há mais de um mês que o Porto de Lisboa está completamente parado. Vamos avançar para um despedimento coletivo, porque temos que redimensionar por não termos trabalho", afirmou Morais Rocha, presidente da Associação de Operadores do Porto de Lisboa (AOPL).

Em declarações à Lusa, Morais Rocha explicou que os operadores do Porto de Lisboa avançaram segunda-feira com os trâmites para um despedimento coletivo, que é fácil de fundamentar, tendo em conta que "o Porto de Lisboa está completamente parado".

O Governo fixou serviços mínimos para assegurar a movimentação de cargas destinadas aos Açores e Madeira e operações de carga ou descarga de mercadorias deterioráveis e de matérias-primas para alimentação.

A última fase de sucessivos períodos de greve, que se iniciou há três anos e meio, arrancou a 20 de abril, com os estivadores do Porto de Lisboa em greve a todo o trabalho suplementar em qualquer navio ou terminal, recusando trabalhar além do turno, aos fins de semana e dias feriados.

De acordo com o último pré-aviso, a greve vai prolongar-se até 16 de junho.

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