Óbito

Reações à morte de Stanley Ho, um "amigo de Portugal e dos portugueses"

Reações à morte de Stanley Ho, um "amigo de Portugal e dos portugueses"

O último governador de Macau, Vasco Rocha Vieira, considera que se perdeu, com a morte do empresário Stanley Ho, um "amigo de Portugal e dos portugueses". O cônsul-geral em Macau e Hong Kong descreve-o como "um amigo da comunidade portuguesa".

"Recordo um homem inteligente, versátil, agradável no trato, respeitador das suas posições e das suas competências", disse à Lusa Vasco Rocha Vieira, comentando a morte do magnata, que teve o exclusivo do jogo no território durante 40 anos, um império que nem a liberalização do setor lhe retirou progonismo.

No quadro do contrato, o empresário apoiou vários projetos no período de transição, com destaque para o aeroporto, mas ajudou também várias causas sociais no território e o projeto do Centro Científico e Cultural de Macau, em Lisboa.

"Foi uma personalidade de uma época", esteve "casado com uma portuguesa de Macau e tinha uma relação afetiva com Portugal", salientou Rocha Vieira.

Já os seus filhos, que gerem os negócios, com destaque para Pansy Ho, que tem participação no Casino do Estoril, "não têm a mesma ligação a Portugal e aos portugueses, embora haja uma continuidade das relações económicas".

O acordo que lhe concedeu exclusividade nos casinos foi assinado ainda durante o Estado Novo e foi respeitado até ao fim, mas Stanley Ho "esteve para lá da sua obrigação do contrato do jogo", mostrando-se sempre disponível para os pedidos da administração portuguesa.

A Portugal cabia o papel de "retirar o melhor proveito desse contrato", com apoios em várias ordens enquanto a Stanley Ho o objetivo era "explorar as virtualidades do contrato de jogo", disse.

Houve sempre um "respeito mútuo muito grande porque havia um resultado positivo" para as duas partes, numa relação fácil, acrescentou Rocha Vieira.

O cônsul-geral de Portugal em Macau e Hong Kong lamentou a morte de Stanley Ho, descrevendo-o como "um amigo da comunidade portuguesa em Macau".

Paulo Cunha-Alves salientou, numa nota enviada à agência Lusa, que "ao longo da sua longa e proeminente carreira, enquanto empresário e homem de negócios, Stanley Ho sempre demonstrou um apreço especial por Portugal".

Uma evidência face a "importantes investimentos em Macau e em Portugal continental", acrescentou.

"Era também um amigo da comunidade portuguesa em Macau e Hong Kong e dos macaenses, que sempre apoiou enquanto filantropo. Que a sua alma descanse em paz para sempre", escreveu o diplomata.