Economia

Redução da despesa "é bem-vinda, mas mais do que expectável", diz Bagão Félix

Redução da despesa "é bem-vinda, mas mais do que expectável", diz Bagão Félix

O economista Bagão Félix sublinhou, esta quarta-feira, que a redução da despesa efectiva do Estado "é bem-vinda, mas mais do que expectável", acrescentando estar "algo perplexo" com a divulgação de dados antes da apresentação do boletim de execução orçamental.

A despesa efectiva do Estado até Fevereiro caiu 3,6%, para 6.815,6 milhões de euros, segundo dados preliminares da execução orçamental dados à Lusa por fonte governamental.

"A haver redução, ela é bem-vinda, mas é mais do que expectável, pois quando se cortam os vencimentos dos funcionários públicos em 5 por cento é natural que a despesa tenha uma redução e eu até diria que deveria ter mais", disse à Lusa Bagão Félix.

O economista sublinhou também que "embora este seja um número positivo na sua tendência", está "aquém do esforço pedido" aos funcionários públicos, reformados e pensionistas.

Apesar de reconhecer que passou pouco tempo sobre a aplicação das medidas de austeridade, Bagão Félix disse que ainda não vê "suficientes consequências" ao nível dos vencimentos e benefícios das famílias e da diminuição da gordura do Estado.

"É uma diminuição da despesa pública pelo efeito de preço e não pelo efeito de volume do aparelho do Estado", afirmou.

Por outro lado, frisou que o seu comentário é "também de alguma perplexidade", já que o governo está a divulgar dados preliminares a 2 de Março, quando o boletim de execução orçamental costuma sair no dia 20 do mês seguinte.

"Agora estamos a assistir a isto: a dados a sair antes do boletim de execução orçamental que é um documento ortodoxo, quase sagrado, que tem um determinado momento de saída. Vimos em janeiro que em primeiro lugar foi anunciado o aumento da receita fiscal, depois foi anunciado num jornal a redução aparente do défice e depois saiu no boletim oficial", afirmou.

Bagão Félix defendeu que este "não é um bom método", sublinhando ser "difícil comentar números assim", já que "não se tratam de números do boletim, mas de números seleccionados daqueles que interessam ao governo dizer politicamente que são de execução orçamental".

Apesar disso, o economista admitiu compreender a situação "no contexto de Fevereiro" e tendo em conta que o primeiro-ministro e o ministro das finanças vão ser hoje recebidos pela chanceler alemã, Angela Merkel.

"É natural que queiram mostrar serviço. Esta alteração um pouco anacrónica dos dado orçamentais pode ser justificada com isso e se for por isso tudo bem", disse Bagão Félix, destacando contudo que é "preciso saber mais sobre os números", desde logo qual a componente da despesa primária e a dos juros.