Economia

Redução da despesa serve apenas para "apresentar números a Merkel"

Redução da despesa serve apenas para "apresentar números a Merkel"

O Bloco de Esquerda considerou que a redução da despesa do Estado apontada por dados preliminares da execução orçamental, conhecidos esta terça-feira, servem apenas para "o primeiro-ministro poder apresentar esses números à chanceler alemã".

Em declarações à agência Lusa, o deputado bloquista José Gusmão salientou que se tratam apenas de "dados preliminares".

"São dados preliminares que não têm em conta despesas como a segurança social ou a saúde e que têm essencialmente como objetivo o senhor primeiro-ministro poder apresentar esses números à chanceler alemã, que pelos vistos se tornou um órgão de soberania na União Europeia em substituição daqueles que estão previstos nos tratados e que deviam fiscalizar o cumprimento dos compromissos europeus", disse.

E acrescentou: "Aquilo que o primeiro-ministro vai levar à chanceler alemã nesta reunião bizarra são os salários, as prestações sociais e o aumento de impostos (...) números que assentam no sacrifício da esmagadora maioria da população portuguesa".

Segundo fonte governamental, a despesa efectiva do Estado até Fevereiro caiu 3,6 por cento, para 6.815,6 milhões de euros, segundo dados preliminares da execução orçamental.

De acordo com a mesma fonte, a despesa corrente primária, que exclui os juros pagos pelo Estado, caiu 3,9 por cento para 6.287,3 milhões de euros.

"A apresentação destes números é uma espécie de sacrifício perante a chanceler alemã, é o governo a mostrar que cortou nos salários, que cortou nas prestações sociais, aumentou impostos sobre os rendimentos do trabalho. É isso que o primeiro-ministro quer mostrar à chanceler alemã", comentou José Gusmão.

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O deputado do BE manifestou-se convicto que "nem a chanceler alemã nem qualquer outra pessoa se deixa enganar sobre o significado que têm estes números".

"O primeiro-ministro irá mostrar à chanceler alemã aquilo que ela quer ver e aquilo que o governo alemão tem pressionado os estados da periferia a fazer. O que estes números escondem ou não revelam são os efeitos recessivos que medidas como esta irão ter sobre a economia portuguesa, que já entrou em recessão no quarto trimestre de 2010, antes destas medidas entrarem em vigor e agora agravará o seu desempenho económico, o que tem impactos negativos sobre o ajustamento orçamental", vincou.

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