Economia

Refer agravou prejuízos em 2010 para 146,5 milhões

Refer agravou prejuízos em 2010 para 146,5 milhões

A Refer obteve um prejuízo de 146,5 milhões de euros em 2010, face a perdas de 120,5 milhões de euros no ano anterior, anunciou a empresa, que prevê continuar a necessitar de financiar-se em "montantes muito significativos".

O resultado operacional da Refer registou um agravamento de 9% face a 31 de Dezembro de 2009, para 108,7 milhões de euros negativos, "resultante principalmente do agravamento registado ao nível dos gastos operacionais (mais 9,3 milhões de euros), por via do aumento da rubrica provisões para outros riscos e encargos, no montante de 2,5 milhões de euros", acrescenta a empresa no comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

Os rendimentos operacionais registaram um acréscimo de 1% para 123,3 milhões de euros.

O total do passivo cresceu 787 milhões de euros, "devido essencialmente ao aumento registado no passivo corrente - financiamento de curto prazo" - para financiamento da actividade de investimento, justifica ainda a empresa.

No final de 2010, verificou-se um aumento da dívida financeira face a 2009 de, aproximadamente, 498 milhões de euros.

Em 2009, a dívida de longo prazo no total da dívida era de 90% e em 2010 este rácio foi de 78%.

O passivo não corrente regista um incremento de 5,6 milhões de euros face a 2009, que resulta essencialmente do aumento das provisões (mais 3,7 milhões de euros), nomeadamente provisão para reestruturação.

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A Refer lembra que no primeiro semestre viu reduzidas as suas necessidades de financiamento devido ao Programa de Estabilidade e Crescimento, que impôs limites ao crescimento do endividamento das empresas do sector empresarial do Estado.

Segundo a empresa, a definição destes limites atrasou o processo de aprovação das necessidades de financiamento, levando-a "a recorrer à figura do pedido de autorização individual para levar a cabo o seu programa de refinanciamento".

Assim, até ao final do primeiro semestre de 2010 "foi submetida à aprovação tutelar a realização de operações, quer de mercado de capitais, quer de crédito bancário com garantia explícita do Estado português para um montante global de 700 milhões de euros", no entanto, diz a empresa que as autorizações "tardaram em chegar".

E ste facto conjugado com o agravamento da crise da dívida soberana "comprometeu o plano de refinanciamento" da Refer , levando "ao aumento de linhas de curto prazo que permitiram a mitigação temporária do risco de refinanciamento".

A empresa prevê continuar a "necessitar de recorrer ao mercado de capitais ou ao crédito bancário em montantes muito significativos o que se afigura, face à actual aversão ao risco Portugal e em especial no que respeita às empresa e aos bancos, como extremamente difícil", sublinham ainda.

Assim, a Refer diz ainda que o Estado, enquanto accionista único, "terá um papel primordial no assegurar das condições financeiras que permitam a continuação da prestação do serviço público de disponibilização da Rede Ferroviária Nacional".

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