Economia

Reservas de ouro desvalorizam 4 mil milhões

Reservas de ouro desvalorizam 4 mil milhões

As barras de ouro que estão guardadas nos cofres do Banco de Portugal valem hoje menos 4 mil milhões de euros do que no início do ano, quase tanto como o valor das medidas para a reforma do Estado.

As contas são simples de fazer. Portugal detém quase 383 toneladas de ouro, as quais, à cotação atual do metal amarelo de 1233 dólares a onça troy, valem 11,67 mil milhões de euros; no final do ano passado, as mesmas reservas estavam avaliadas em 15,6 mil milhões de euros. Ou seja, desde o arranque do ano, o valor das reservas de ouro do Banco de Portugal baixou quase 25%. A razão é a queda a pique dos preços do metal amarelo nos mercados internacionais.

A perda potencial de valor das reservas - caso o Banco de Portugal vendesse parte das suas reservas - ganha ainda uma maior dimensão se for calculada com base no "pico" do preço do ouro atingido a 5 de setembro de 2011. Nessa altura, o ouro chegou ao máximo histórico de 1898,99 dólares, o que avaliava as barras de ouro detidas por Portugal em 16,6 mil milhões de euros, ou seja, a desvalorização atual seria menos 30% ou menos 4,9 mil milhões.

Portugal figura entre os países com maiores reservas de ouro do Mundo. De acordo com os dados mais recentes do World Gold Council, relativos a junho, Portugal é o 15.0 no top mundial. Mas a realidade é que o Banco de Portugal não compra nem vende ouro desde o terceiro trimestre de 2006. As últimas vendas ocorreram em 2003 e 2006 ao abrigo de um acordo com outros bancos centrais, que limita as vendas deste ativo (ver caixa).

Reservas são para manter

O governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, garantiu recentemente que as reservas vão manter-se em volume e apenas variar consoante a valorização do metal precioso. "Não esperamos que as reservas diminuam, já que constituem um capital credível muito importante e parte do capital que o Banco de Portugal utiliza para fazer face ao seu balanço", afirmou Carlos Costa, rejeitando seguir a intenção do Governo de Chipre, que pretende vender reservas de ouro no valor de 400 milhões de euros para ajudar a financiar o seu resgate.

Venda condicionada

No atual quadro legal da União Monetária Europeia, os governos não podem dispor livremente das reservas de ouro que são geridas pelos bancos centrais. O resultado das vendas efetuadas fica retido nesses bancos e não pode servir para amortizar a dívida do país. Os bancos centrais estão proibidos de financiar diretamente os Estados.

Considerado um ativo de refúgio pelos investidores em tempos de crise, o ouro entrou em queda acentuada, depois de Ben Bernanke, o presidente da Reserva Federal dos EUA (FED) ter anunciado que vai começar a desmantelar a política de estímulos à maior economia do Mundo. Na semana passada, o metal amarelo chegou a negociar abaixo da barreira psicológica dos 1200 dólares a onça troy, acumulando uma queda de 11% em junho, a maior desde outubro de 2008, um mês depois da mítica falência do banco Lehman Brothers.

Perdas históricas

Mas o saldo dos últimos três meses é ainda mais histórico. O tombo de 23% arrecadado no segundo trimestre é o maior desde 1920. Se continuar por este caminho, o ouro atreve-se a fechar o ano com o primeiro saldo negativo, depois de 12 anos de ganhos. Desde o início do ano, o ouro acumula já perdas de 26%, as maiores desde 1981. v

Outras Notícias

Outros Conteúdos GMG