Economia

Sacos de lixo são bandeira em protesto contra agências de 'rating'

Sacos de lixo são bandeira em protesto contra agências de 'rating'

Cerca de uma dezena de pessoas 'munidas' de sacos de lixo juntaram-se, este sábado, em Lisboa, num protesto contra as agências de notação financeira para dizer que é impossível colocar nove séculos de História no 'lixo'.

A acção foi desencadeada pelo anúncio da classificação de Portugal como 'lixo', decidida na terça-feira pela agência de 'rating' Moody's, e foi organizada através da rede social Facebook.

"Põe o lixo no lixo" e "Põe aqui a Moody's" eram algumas das frases coladas nos sacos de plástico dos manifestantes que se juntaram no Terreiro do Paço, em Lisboa.

"Portugal está, neste momento, no centro da atenção da Europa por ter sido alvo de um ataque instrumental de um dos mecanismos mais perversos do capitalismo sofisticado. A baixa do 'rating' pela Moody"s em quatro níveis consecutivos é instrumental. É um ataque não a Portugal, mas à Europa", disse aos jornalistas José Manuel Diogo, um dos participantes.

"Não pode acontecer que alguém lucre com a falência de países, que saia beneficiado não com o facto de alguém conseguir sair da crise, mas com o facto de alguém não conseguir sair da crise. Isto é perverso, é o novo terrorismo, estes são os novos Bin Laden. É preciso que isto não aconteça", afirmou.

José Manuel Diogo salientou que "as agências que na véspera da queda do Lehman Brothers e da AIG lhes davam AAA - nota máxima - são as mesmas que, agora, em países, em nações com Património, com História dizem que somos lixo e isso não pode acontecer".

José Manuel Diogo explicou que os sacos de plástico do lixo são "um símbolo" para dizer que "não é possível" colocar no seu interior algo "bem maior do que capital, que são nove séculos de História e, na Europa, muitos séculos de organização social dos povos".

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Questionado sobre o reduzido número de participantes no protesto, José Manuel Diogo afirmou ter a "certeza" de que o número irá aumentar até às 20.00 horas, altura até à qual a acção está autorizada pelo Governo Civil, mas admitiu que é "muito difícil competir" com um sábado de sol em Julho.

A decisão de cortar o 'rating' de Portugal, bem como de bancos, autarquias e empresas portuguesas, valeu à Moody's um coro de protestos a nível internacional e internacional, cancelamento de contratos e apelos à mobilização contra a agência norte-americana.

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