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"Salário emocional": uma estratégia para atrair trabalhadores à hotelaria

"Salário emocional": uma estratégia para atrair trabalhadores à hotelaria

Envolver os funcionários nas tomadas de decisão e, acima de tudo, reforçar os laços entre hierarquias laborais devem ser prioridades de quem recruta.

Num momento marcado pela escassez global de mão-de-obra no setor da hotelaria e turismo, "frustração" é o elemento comum tanto do lado de empregadores como de funcionários. Um "cocktail tóxico", sublinha Luís Mexia Alves, CEO da DHM - Discovery Hotel Management, identificando dois grandes problemas: o dos salários baixos e o da falta de perspetivas de evolução na carreira.

Apostar em recrutamentos fora da área e trabalhar o chamado "salário emocional" - criar condições motivadoras que aliciem o trabalhador - são algumas das sugestões apresentadas pelo responsável no 32.º Congresso Nacional da Hotelaria e Turismo, a decorrer, até sexta-feira, no Algarve.

"O seguro de saúde para um funcionário de 20 anos pode não ser assim tão interessante, mas para 'housekeeping" [trabalhadores dos serviços de quarto] sim. Para ele será mais aliciante ter a mensalidade da Netflix ou de um ginásio", defendeu. Uma das novidades aplicadas no grupo, revelou, foi a eliminação das funções de rececionista e empregado de mesa, criando um novo cargo, com um salário mais alto, responsável por essas tarefas. Além disso, cada trabalhador tem um plano individual de objetivos, fazendo a própria avaliação do bónus anual que irá receber.

Igualmente defensora do "salário emocional", Marta Sotto-Mayor, formadora e consultora em Hotelaria, defendeu que as escolas de turismo geram estagiários com muita ambição e cujas potencialidades não são devidamente aproveitadas pelos hoteleiros. "Os estagiários dizem-me, muitas vezes, "eu não sou um vaso"", lamentou, apelando aos empregadores que invistam na formação destes jovens.

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