Conjuntura

Se houver austeridade "vamos ter mais uma década perdida"

Se houver austeridade "vamos ter mais uma década perdida"

Ministro da Economia repete a ideia do primeiro-ministro: a receita para esta crise não está nos cortes. No entanto, António Costa não se compromete.

Reduzir a despesa pública e aumentar os impostos foi a receita da austeridade imposta pela troika. Um guião ontem recusado por Siza Vieira, ministro da Economia. Já António Costa tinha dito o mesmo, no último fim de semana, recusando contudo dar uma resposta definitiva. Ou seja, o primeiro-ministro procurou não se comprometer sobre um futuro ainda muito incerto.

"Se a resposta da União Europeia (UE) consistir em políticas de austeridade, podem ter certeza que vamos ter mais uma década perdida", afirmou o ministro de Estado, da Economia e da Transição Digital, Pedro Siza Vieira, que falava perante os deputados da Comissão de Economia, Inovação, Obras Públicas e Habitação, na Assembleia da República, sobre as consequências económicas da pandemia de Covid-19 e das medidas de combate à sua propagação.

"Na resposta a uma crise com estas características, políticas de austeridade agravam a recessão e não podem ser impostas aos países. Isto é claro e inequívoco", sublinhou Siza Vieira.

Admitindo que "provavelmente" se vai observar um crescimento do desemprego, o ministro da Economia garantiu que as orientações políticas do Governo português na resposta a esta crise não são para diminuir as despesas e aumentar os impostos.

Centeno vs. Costa

O facto de o presidente do Eurogrupo ser simultaneamente ministro das Finanças português causa alguma polémica política. "Ainda não sabemos o que fará o Governo português. António Costa tem dito que não quer mais austeridade e quer uma resposta solidária, mas Mário Centeno, enquanto presidente do Eurogrupo, tem sustentado as posições alemãs. Esta duplicidade fragiliza Portugal e fragiliza a possibilidade de uma resposta europeia", dizia, anteontem, Catarina Martins, coordenadora do Bloco de Esquerda.

Seja como for, o ministro da Economia ressalvou que é necessário prudência na gestão da política económica e que o Estado não vai conseguir assegurar a cobertura de toda a quebra da atividade económica, mas sim garantir a proteção e preservação da capacidade produtiva das empresas, para quando houver retoma.

O fardo é grande. As medidas aprovadas para o apoio ao emprego e às famílias têm um impacto orçamental superior a 2,7 mil milhões de euros em apenas um mês. "Chegaram às sociedades de garantia mútua 21 648 pedidos de 4,8 mil milhões de euros, e foram aprovados 558 milhões de euros", indicou o ministro da Economia, numa referência às linhas de crédito com garantia do Estado.

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