Economia

Sindicalistas da Carris ocupam Santander por causa dos contratos "swap"

Sindicalistas da Carris ocupam Santander por causa dos contratos "swap"

Delegados sindicais da Carris ocuparam, este sábado, simbolicamente a sede do Santander Totta em Lisboa em protesto contra os contratos "swap" assinados entre a empresa pública de transporte e o banco de capitais espanhóis.

O grupo de oito representantes dos trabalhadores, no seu protesto, pediu a restituição "imediata" de 35,5 milhões de euros já pagos pela Carris ao banco, no âmbito dos contratos 'swap' (contratos de cobertura de risco).

Manuel Leal, dirigente do Sindicato dos Trabalhadores dos Transportes Rodoviários e Urbanos de Portugal (STRUP), afeto à CGTP-IN, reclama o fim de "uma negociata orquestrada entre administradores das empresas, membros dos governos e banqueiros", que se traduziu "na transferência de uma fortuna imensa da esfera pública para a esfera privada".

O sindicalista justificou a ocupação simbólica como "uma ação de denúncia e, ao mesmo tempo, de exigência para que a gerência do Santander Totta devolva um esbulho do erário público em torno do que é um autêntico escândalo que envolve os contratos 'swap'".

António Vieira Monteiro, presidente executivo do Santander Totta, garantiu ao Diário Económico - em entrevista a ser divulgada pela Etv na próxima segunda-feira - que o banco apresentou já ao Governo "uma proposta (...) bastante viável e com bastante interesse para o Estado", relacionada com a revisão dos contratos swap assinados com o Santander.

"Mas, para se chegar a acordo, tem que haver duas partes com disponibilidade para falar" e o Governo ainda não fez esse caminho de aproximação, acrescentou o banqueiro.

Na perspetiva dos trabalhadores da Carris, porém, "a solução não pode ser outra que não a devolução imediata à empresa do esbulho de capitais públicos".

Este negócio, continuou o dirigente da STRUP, é feito com "uma empresa de capitais públicos como é a Carris, que ao longo destes três últimos anos fez descer as remunerações dos trabalhadores mais de 30%, ao mesmo tempo que faz subir o salário do presidente do Conselho de Administração mais de 2.000 euros".

"Os administradores das empresas públicas que puseram a assinatura nestes contratos foram todos recompensados e bem pagos, um deles, Silva Rodrigues, até foi promovido a 'super administrador' do Metro, Carris, Transtejo e Soflusa", refere o STRUP em comunicado.

"É para pagar este roubo que os salários estão a ser roubados nas empresas públicas. E é para pagar este roubo que os preços estão a subir brutalmente para os utentes", acusa o sindicato no mesmo comunicado.

Os sindicalistas comprometem-se a continuar o protesto e a "dar continuidade à denúncia em termos institucionais, recorrendo a todas as formas, sem excluir a responsabilização criminal por uma gestão que, na ótica de uma empresa pública, a gere desta forma".

Em relação ao Santander, e depois de não terem encontrado "ninguém responsável pela gerência do banco", os representantes dos trabalhadores da Carris vão procurar "a forma direta de levar o protesto e a exigência" que fazem ao banco à sua administração, "com conhecimento dos grupos parlamentares".

"Não iremos ficar por aqui", garantiu Manuel Leal.

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