Plenário

Estivadores avançam com novo pré-aviso de greve

Estivadores avançam com novo pré-aviso de greve

Na próxima sexta-feira inicia-se uma nova fase na luta dos estivadores com a entrega formal do pré-aviso da greve que se vai prolongar até meados de junho.

"Na sexta-feira inicia-se uma nova fase. O novo pré-aviso de greve tem início a 27 de maio até ao dia 16 de junho", recordou o presidente do Sindicato dos Estivadores no final de um plenário de trabalhadores que decorreu no Cais Marítimo de Alcântara em Lisboa.

António Mariano disse que o Governo deveria de ter tomado medidas no início da greve da classe. "O Governo, desde a primeira hora, devia ter impedido que os portos estivessem parados, porque um trabalhador é colocado numa escala para não fazer nada. A maior prova de que isto é assim, é a de que nos primeiros dez dias de greve não foram decretados serviços mínimos. Segundo a lei, nos primeiros três dias, devem ser definidos serviços mínimos. Ao décimo dia de paralisação é que foram pedidos serviços mínimos, porque nós estivemos parados quando isto devia estar a trabalhar. Quem o provocou? Foram as empresas", declarou.

Na opinião do sindicalista, "o governo devia ter percebido desde a primeira hora que os portos estavam parados porque as empresas assim o pretendiam".

O plenário do Sindicato dos Estivadores começou por volta das 11.30 horas e decorreu à porta fechada, no auditório da Gare Marítima de Alcântara, em Lisboa. A sala do auditório esteve lotada de estivadores em greve, sendo que uma parte dos trabalhadores já tinha estado presente ao início da manhã no piquete de greve montado no cais de Xabregas, na zona oriental da capital, onde estavam a ser descarregados contentores e havia um cordão policial.

"Continuamos à espera de que o Governo crie condições, como criou em dezembro, para sentar os parceiros a uma mesa, que é aí que as coisas se discutem, se acertam. Continuamos e sempre continuamos disponíveis mas não houve essa iniciativa nos últimos dias", disse António Mariano, frisando que a situação dos trabalhadores tem estado a agravar-se.

O presidente do Sindicato dos Estivadores adiantou à Lusa que a estrutura sindical quis esclarecer os trabalhadores sobre a "operação de intoxicação" que, sublinhou, está a ser montada desde o início da crise, e fazer um ponto da situação sobre a greve.

António Mariano referiu que o sindicato está a reunir documentação para depois serem "constituídas queixas-crime" sobre várias situações que se têm verificado contra a lei da greve.

Para o presidente do sindicato, a presença da polícia junto aos piquetes de greve é irregular, criticando, nomeadamente, a entrada do que apelidou de "fura-greves" no terminal de Xabregas, por via marítima e "com ajuda de lanchas públicas", estando a operar para um grupo económico turco.

"Os elementos que estão no terminal deviam estar a ser controlados, mas entraram por via marítima. Esta é uma prática da empresa turca que já fez o mesmo no Porto de Oslo, despedindo 50 estivadores que lá trabalhavam", acusou o presidente do sindicato, no final do plenário que se prolongou durante cerca de duas horas.

Os operadores do Porto de Lisboa anunciaram segunda-feira que vão avançar com um despedimento coletivo por redução da atividade, uma proposta de acordo de paz social que foi recusada. As versões do sindicato, dos operadores e Governo não coincidem, sobretudo na questão da Porlis (empresa de trabalho portuário cuja extinção era uma das reivindicações dos sindicatos).

A ministra do Mar, Ana Paula Vitorino, diz que os operadores propuseram suspender os trabalhos da Porlis, mas o documento previa apenas que os operadores se comprometessem a "encontrar uma solução relativamente" ao futuro da empresa de trabalho portuário.

Na terça-feira, o presidente do Sindicato dos Estivadores, António Mariano classificou de "terrorismo psicológico" e "atentado ao Estado de direito" o anúncio de um despedimento coletivo e a presença da PSP no Porto de Lisboa, para acompanhar retirada de contentores retidos.

Contudo, António Mariano disse que os trabalhadores estão dispostos a chegar a um entendimento, caso a empresa criada paralelamente for encerrada e se forem resolvidas duas situações do contrato coletivo de trabalho.