Greve

Motoristas à espera de contraproposta da ANTRAM

Motoristas à espera de contraproposta da ANTRAM

Os sindicatos dos motoristas que anunciaram a greve de dia 12, por tempo indeterminado, entregaram uma "proposta razoável" ao ministro das Infraestruturas "para resolver este conflito" e aguardam uma resposta da ANTRAM até sexta-feira. Para já, o aviso de greve mantém-se.

A greve dos motoristas mantém-se em cima da mesa pelo menos até sexta-feira, prazo-limite que os sindicatos deram à Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias (ANTRAM) para apresentar uma contraproposta que será votada pelos trabalhadores.

O Sindicato Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP) e o Sindicato Independente dos Motoristas de Mercadorias (SIMM) estiveram esta segunda-feira à tarde reunidos, em Lisboa, com o ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos.

À saída do encontro, o assessor jurídico do SNMMP, Pedro Pardal Henriques, garantiu aos jornalistas que a greve vai manter-se até a ANTRAM apresentar "uma contraproposta" que, a concretizar-se, será votada na "sexta-feira, no plenário".

"Estamos a tentar fazer propostas, estamos a tentar evitar a greve", sublinhou, acusando a ANTRAM de "má-fé" por não querer negociar.

A greve, que começa na próxima segunda-feira, dia 12, por tempo indeterminado, ameaça o abastecimento de combustíveis e de outras mercadorias.

O Governo terá de fixar os serviços mínimos para a greve, depois de as propostas dos sindicatos e da ANTRAM terem divergido entre os 25% e os 70%, bem como sobre se incluem trabalho suplementar e operações de cargas e descargas.

Propostas

Pedro Pardal Henriques disse no sábado ter "várias propostas" para apresentar no Ministério das Infraestruturas e sublinhou que a estrutura sindical sempre quis evitar a greve.

Entre as principais propostas está a negociação de um contrato coletivo de trabalho "com um prazo de tempo mais estendido com as coisas que, quer uma parte quer outra, entendam reivindicar", acrescentou o vice-presidente do SNMMP.

A proposta, adiantou Pedro Pardal Henriques, passa por aumentar o salário base dos motoristas para mil euros até 2025, com indexação ao crescimento do salário mínimo nacional, o que permite "um prazo mais dilatado, quer para que as empresas possam cumprir com aquilo que ficar estabelecido no CCT, quer para que haja a paz social que o país necessita".

Prevê ainda que se faça um contrato coletivo de trabalho de seis anos, em vez de um só de dois, "em que sejam estipulados 'a priori' aumentos de 50 euros de ano para ano a partir de 2021".

"A questão é que a ANTRAM não se quer sentar com os sindicatos, não quer ouvir propostas e quer colocar o país neste estado de alerta", acusou o dirigente sindical.

Por sua vez, o porta-voz da ANTRAM disse, também no sábado, que a reunião no Ministério das Infraestruturas "é uma farsa" do sindicato com o objetivo de "ludibriar" os portugueses sobre uma alegada disponibilidade para negociar.

"A ANTRAM não estará nessa reunião porque essa reunião simplesmente não existe", disse à Lusa o advogado e porta-voz da associação, André Matias de Almeida, contrariando as declarações de Pardal Henriques.

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