Paralisação

Sindicato faz balanço positivo da greve de quatro dias nos "call centers"

Sindicato faz balanço positivo da greve de quatro dias nos "call centers"

O Sindicato dos Trabalhadores de Call Center (STCC) fez, este sábado, um balanço positivo da greve de quatro dias realizada para alertar para a importância do setor durante a pandemia e chamar a atenção do Governo para os problemas laborais.

"Fazemos um balanço positivo da greve de quatro dias, realizada nos dias 24, 25 e 31 de dezembro e hoje", disse à Lusa o dirigente sindical Danilo Moreira.

O sindicalista acrescentou, no entanto, não ser possível indicar números concretos de adesão à greve, tendo em conta que existem mais de 400 "call centers" no país e cerca de 110 mil trabalhadores no setor, muitos em regime de teletrabalho.

"Sabemos que houve trabalhadores que aderiram aos quatro dias, mas outros que aderiram só a dois dias por questões de salário", indicou Danilo Moreira.

O dirigente do STCC sublinhou que a greve é sobretudo "um alerta para os governos, que continuam a apostar nas empresas de trabalho temporário, e uma chamada de atenção para a importância desta atividade durante a pandemia".

A greve é também "uma das etapas" para os trabalhadores conseguirem aumentos salariais e para lutarem pelo reconhecimento da profissão, acrescentou.

Danilo Moreira lembrou que há quase três anos foi discutida no parlamento uma petição com o objetivo de esta atividade ser considerada uma profissão regulamentada e que o Governo se comprometeu na altura a realizar um estudo nesse sentido, mas até agora nada foi feito.

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Estavam abrangidos pelo pré-aviso de greve todos os trabalhadores que prestem serviço na área dos 'call centers' e 'contact centers', em trabalho presencial ou teletrabalho, bem como nas áreas administrativas, em todo o território continental e nas regiões autónomas.

Já os trabalhadores que prestam serviços "socialmente imprescindíveis", como na linha SNS24 ou linha apoio à vida, bem como no apoio ao INEM ou às forças de segurança, estiveram excluídos deste aviso.

"Somos nós, trabalhadores/as de 'call center', que damos voz, suporte técnico ou ambas no apoio de marcas como NOS, Meo, Facebook, Google, Apple, Microsoft, Tranquilidade, Metlife, etc.. Somos nós que estamos nas linhas de apoio e suporte na Caixa Geral de Depósitos, no Santander, nós somos a 'voz' da EDP e até do SNS 24. Como consequência da realidade atual [...], os trabalhadores de 'call center' fazem cada vez mais trabalho essencial a todas as pessoas", apontou o sindicato, numa nota divulgada na semana passada.

Assim, conforme referiu, as empresas de 'outsourcing' (terceirização) e de trabalho temporário expandiram o seu negócio, o que para os trabalhadores deveria conduzir à eliminação da precariedade, do "falso trabalho temporário", do assédio laboral e das "jornadas e ritmos de trabalho extenuantes", e ao aumento dos salários.

"Infelizmente, e num setor cujas entidades patronais incluem alguns dos maiores grupos económicos e 'marcas' nacionais e internacionais [...], os trabalhadores continuam a viver de baixos salários", notou, acrescentando que estes profissionais, assumem, cada vez mais, um trabalho considerado como "imprescindível", apesar de continuarem "sem sequer terem a sua profissão reconhecida e valorizada".

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