Despedimentos

Sindicatos denunciam clima de "terror" e suspeitas de concertação entre bancos

Sindicatos denunciam clima de "terror" e suspeitas de concertação entre bancos

Os sindicatos do setor bancário ouvidos no parlamento, esta terça-feira, denunciaram o clima de "terror" e "assédio moral" vivido na banca e reforçaram as suspeitas de que existe concertação das instituições nos processos de despedimento e redução de pessoal.

As sete estruturas sindicais foram hoje ouvidas na comissão parlamentar de Trabalho e Segurança Social a pedido do grupo parlamentar do PSD, na sequência dos recentes anúncios de mais despedimentos na banca portuguesa.

Os sindicatos são o Mais Sindicato, Sindicato de Bancários do Norte, Sindicato dos Bancários do Centro, Sintaf, Sindicato Nacional dos Quadros e Técnicos Bancários, Sindicato de Trabalhadores das Empresas do grupo Caixa Geral de Depósitos e Sindicato Independente da Banca.

Na sessão, a deputada social-democrata Lina Lopes manifestou preocupação com a anunciada redução de um número significativo de trabalhadores por parte dos bancos Santander e BCP, apresentando como justificação um alegado impacto da pandemia e a nova realidade da digitalização.

"Estas ameaças geram instabilidade no setor laboral bancário e podem colocar em causa instituições que consideramos essenciais no panorama económico nacional e social", sublinhou.

Os sindicatos foram unânimes em lamentar os processos anunciados pelas instituições bancárias de redução de pessoal, ao mesmo tempo que apresentam lucros.

Para os sindicatos presentes, a figura do despedimento coletivo está a servir como forma de "intimidação" e "pressão" para levar os trabalhadores a aceitar sair com receio de ter uma situação pior mais tarde e falam até em "assédio moral" e da alimentação de um "clima de terror" entre os funcionários.

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Questionados pelos deputados sobre as suspeitas de cartelização destes processos, as estruturas foram também unânimes em considerar que existe uma "concertação" da atuação e pedem a intervenção da autoridade da concorrência nestes processos de despedimento e de encerramento de agências e também do Banco de Portugal.

Assim, para os representantes dos sindicatos, parecem existir "conversas entre bancos" sobre a política de redução do pessoal, do modelo de distribuição dos balcões, em processos que parecem estar a ser "bem instrumentalizados e organizados".

As estruturas referiram, a propósito, as semelhanças dos processos entre os bancos, que recorrem aos mesmos gabinetes jurídicos e apresentam os mesmos valores compensatórios, cartas e formas de abordagem idênticas e prazos e minutas semelhantes.

A audição dos sindicatos decorre na semana em que o presidente do BCP, Miguel Maya anunciou que deverão sair do banco mais de 800 trabalhadores, abaixo da meta inicial de 1.000, mas que depende dos funcionários que aceitarem rescindir e mantém a possibilidade de recurso ao despedimento coletivo.

O anúncio foi feito durante a apresentação de resultados do primeiro semestre, onde a instituição apresentou um lucro de 12,3 milhões de euros.

No dia 13 de julho, os sete sindicatos do setor bancário promoveram uma manifestação em frente à Assembleia da República, contra os despedimentos, deixando em cima da mesa a realização de uma greve nacional.

Na semana passada, a UGT enviou uma carta ao primeiro-ministro, António Costa, em que disse suspeitar de cartelização entre os grandes bancos para uma redução de postos de trabalho no setor.

Miguel Maya negou a existência de cartelização e disse que o que se passa é que cada banco avalia as mudanças na indústria e toma medidas.

O Santander Totta tem um plano de reestruturação que prevê a saída de mais 685 pessoas através de reformas antecipadas e rescisões por mútuo acordo (sem acesso a subsídio de desemprego), depois de centenas já terem saído desde setembro de 2020. A comissão de trabalhadores estima que as saídas ascendam a 1.400 funcionários entre setembro de 2020 e o mesmo mês deste ano.

Os presidentes executivos do BCP e do Santander Totta, Miguel Maya e Pedro Castro e Almeida, respetivamente, serão ouvidos também hoje à tarde pela mesma comissão.

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