Economia

Só há criação de emprego nos salários até 310 euros

Só há criação de emprego nos salários até 310 euros

Desde que Portugal iniciou o programa da troika, a criação líquida de emprego acontece no grupo dos salários mais baixos. No 1.º trimestre deste ano, a taxa de desemprego chegou ao recorde histórico de 17,7%.

O inquérito ao emprego relativo ao primeiro trimestre deste ano, ontem publicado, mostra que a taxa de desemprego oficial portuguesa piorou de 16,9% no último trimestre de 2012 para 17,7% da população ativa nos primeiros três meses deste ano. Estão, agora sem trabalho 952,2 mil pessoas, uma subida de 16,2% face ao primeiro trimestre do ano passado. O desemprego jovem, que o Governo diz ser a sua maior preocupação, continua a expandir-se de forma virulenta: a respetiva taxa subiu para 41,1% na população ativa com idades entre os 15 e os 24 anos. Era 36,2% um ano antes.

Os salários estão a cair e, de acordo com o INE, entre o segundo trimestre de 2011 (Memorando da troika é de maio desse ano) e o primeiro trimestre deste ano, o emprego no grupo dos trabalhadores por conta de outrem que ganham menos de 310 euros aumentou 15,1%.

São mais 21,1 mil pessoas a ganhar salários miseráveis (estão abaixo do limiar de pobreza definido pelo indexante de apoios sociais, que é de 419,22 euros), dos quais metade (cerca de 11,7 mil) no Norte do país. Ao todo, o contingente dos trabalhadores mais mal remunerados é constituído por 140 mil indivíduos. O salário médio líquido da economia está agora em 806 euros mensais. Era de 813 euros há dois anos.

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