Habitação

Só três bancos têm condições especiais de crédito a jovens

Só três bancos têm condições especiais de crédito a jovens

Bonificação dos spreads é um dos atrativos nas poucas ofertas que existem para os mais novos que queiram comprar casa com recurso a financiamento.

Em 2022, faz 20 anos que foi descontinuado o regime de crédito bonificado destinado aos jovens. Todavia, apesar de não existir a formalidade do crédito à habitação para jovens, existem algumas ofertas mais direcionadas aos consumidores com idades entre os 18 e os 35 anos, com algumas vantagens, como bonificações nos spreads. Este ano, os jovens que pretendam comprar casa com recurso a crédito encontram apenas três ofertas no mercado específicas para o seu segmento, segundo uma análise feita pela plataforma de comparação de preços ComparaJá.

Apenas o ActivoBank, o Novo Banco e o Millennium BCP disponibilizam um produto dedicado aos clientes que tenham entre 18 e 35 anos.

As soluções disponíveis para este segmento apostam numa bonificação no spread do crédito. Mas estas ofertas destinadas a jovens vão alterando constantemente com o respetivo momento económico em que a banca se encontra, alerta a ComparaJá. A plataforma aponta que a única desvantagem ao adquirir um crédito à habitação sendo jovem é o valor fixo mensal para pagar durante alguns anos. "Ainda assim, os valores de importante análise são a MTIC (montante total imputado ao consumidor) e a TAEG (taxa anual de encargos efetiva global)", frisa.

Em Portugal, apenas cerca de um quarto dos jovens com menos de 30 anos possuía casa própria no ano passado, segundo o estudo da Fundação Calouste Gulbenkian.

Dificuldade nas garantias

Os jovens têm algumas desvantagens na hora de pedirem um crédito bancário. Em geral, não alcançaram ainda uma certa estabilidade laboral. Também auferem um vencimento mais baixo do que consumidores com uma vida laboral mais longa. E têm mais dificuldades em conceder garantias sólidas aos bancos. São fatores que podem encarecer o empréstimo.

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"Apesar de os jovens terem de apresentar um contrato de trabalho efetivo e o respetivo dinheiro de entrada para o imóvel, como em qualquer outra faixa etária, existe, de facto, uma perceção diferente do banco em relação ao cliente se for um jovem", disse João Morgado, diretor do ComparaJá. "As bonificações nos spreads são, por exemplo, um dos principais pontos a favor para os jovens no momento de contratarem um crédito à habitação", adiantou.

Segundo dados do Barómetro Crédito Habitação ComparaJá 2021, mais de um terço dos 11 mil utilizadores da plataforma não ganhava mais do que mil euros mensais no primeiro semestre deste ano. Um quarto desses 11 mil consumidores tem idades compreendidas entre os 18 e os 30 anos.

Outra das conclusões do barómetro foi que, em média, os portugueses esperam até aos 37 anos para pedir crédito à habitação. Mas a idade de término do pagamento do empréstimo à habitação, na maioria dos casos, só acontece depois dos proponentes entrarem na idade da reforma.

Para a plataforma, a compra de casa continua a ser a melhor solução de habitação para os jovens, comparando com o arrendamento.

Empréstimos

Desde dezembro de 2014 que as famílias não tinham um montante tão elevado de empréstimos da banca. No total, os empréstimos a particulares aumentaram para 123 mil milhões de euros, em julho deste ano. Foi um crescimento mensal de 486 milhões, segundo a nota divulgada ontem pelo Banco de Portugal.

Valor mais alto

No caso dos empréstimos para outros fins, em julho foi também atingido o valor mais alto dos últimos cinco anos. O montante deste tipo de empréstimos subiu para os 8,9 mil milhões de euros.

Depósitos

Em contrapartida, os depósitos de particulares nos bancos atingiram em julho um novo recorde de 169,9 mil milhões de euros, mais 1450 milhões que no final de junho.

18,9 mil milhões é o montante global do crédito ao consumo, que subiu 60 milhões de euros, segundo o Banco de Portugal.

95,2 mil milhões é o saldo do crédito à habitação, que cresceu 397 milhões de euros em julho face ao mês anterior.

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