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Portugal Mobi Summit

Soluções de micromobilidade têm de ser adaptadas a cada caso

Soluções de micromobilidade têm de ser adaptadas a cada caso

Especificidade dos territórios obriga a estudar diferentes soluções, que devem envolver público e privado. É preciso conhecer comportamentos das pessoas e tratar dados de forma integrada para construir soluções adequadas

"Não há uma solução única para todos". O alerta foi deixado por Anant Dinamani, Future of Mobility Assets and Solutions Leader da Deloitte, na palestra "Small is Beautifull: como a micromobilidade pode ajudar as pessoas, as cidades e as empresas", na abertura do último dia do Portugal Mobi Summit. Em diversos países, explicou, estas questões estão a ser abordadas "de diferentes ângulos", envolvendo diferentes estruturas governamentais, enfrentando diferentes desafios. Todas as cidades "são como organismos vivos" e cada uma tem as suas especificidades, pelo que "não há uma abordagem única para a questão da mobilidade".

Por isso, tem vindo a ser criada uma comunidade global de mobilidade futura, com especialistas em todo o mundo que trabalham em conjunto e partilham ideias e perspetivas de soluções. "Há um enorme desafio sobre como é que vamos construir soluções de mobilidade adequadas às necessidades de cada cidade".

Não há soluções iguais, é certo, mas há tendências a destacar. "A urbanização rápida é uma tendência que veio para ficar e a ter em conta. Muitas cidades estão a crescer rapidamente", apontou Anant Dinamani. Como consequência, a "segurança" tornou-se uma preocupação. Nos Estados Unidos, por exemplo, "muitos dos nossos clientes estão preocupados com a segurança, sobretudo em relação aos dados e infraestruturas", pois têm ocorrido "grandes mudanças na forma como as infraestruturas foram construídas antes e como estão a responder às necessidades de hoje".

O aumento das desigualdades é outro desafio, "o fosso entre os que têm e os que não têm e como muitos destes bairros e comunidades estão a gentrificar".

Soluções de amanhã em conjunto

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Muitas cidades estão a mudar rapidamente e "os governos têm o desafio de assegurar que as soluções de amanhã ainda são aplicáveis" e que "todos têm acesso igual e têm escolhas". Essas soluções, diz Anant Dinamani, terão de ser encontradas em conjunto. Há "uma necessidade crescente do setor privado colaborar com os governos e serem desenvolvidas novas formas de parceria".

O futuro da mobilidade não pode ser baseado apenas em mudanças no trânsito. É preciso ter outros fatores em conta. A começar nos modelos de governação nacional e regional, pois as cidades têm diferentes políticas. O futuro "não passa por construir mais estradas", mas por "melhorar a utilização das infraestruturas existentes", adaptando-as aos novos padrões de trabalho. E para isso são necessários "modelos governamentais a nível do transito, planeamento", entre outros.

As soluções têm de assegurar igualdade de acesso. É preciso perceber quem reside e quem vai à cidade, reinventando os centros urbanos. Também os avanços tecnológicos e a inteligência artificial oferecem, diz o especialista, "oportunidades únicas para as entidades governamentais preverem ou perceberem os problemas e otimizarem soluções", sendo algo que carece de "muita responsabilidade", para que se criem "soluções que sejam de longa duração e não enviesadas".

O comportamento do consumidor é importante e levanta questões: As cidades devem continuar a expandir-se ou densificar-se? É preciso "mudar o comportamento do consumidor em relação ao sítio onde vive e as soluções de acesso aos locais onde quer ir".

Outros aspetos a ter em conta, finaliza Anant Dinamani, são a reinvenção do modelo de negócio (que terão de ter em conta como a energia é produzida e consumida e quais os modelos fiscais e de negócio adequados) e o desenvolvimento de sistemas integrados multimodais (coordenando dados para criar uma experiência integrada).

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