Economia

Standard & Poor's retira Portugal do "lixo"

Standard & Poor's retira Portugal do "lixo"

A agência de notação financeira Standard and Poor's (S&P) tirou Portugal do "lixo" esta sexta-feira, revendo em alta o rating atribuído à dívida soberana portuguesa de BB+ para BBB-.

Com esta revisão em alta para BBB-, um primeiro nível de investimento com perspetiva estável, Portugal volta a ter uma notação de investimento, atribuída por uma das três principais agências de rating mundiais. Desde 2015 que a agência atribuía à dívida soberana portuguesa um rating BB+, a nota mais elevada de não investimento, com uma perspetiva estável.

A economia a crescer 2% em média até 2020, um défice de 1,5% este ano e menos riscos no acesso ao financiamento justificaram a decisão.

"A revisão em alta reflete a melhoria das previsões para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) português entre 2017 e 2020, bem como o progresso sólido que o país fez em diminuir o défice orçamental e um menor risco de uma deterioração nas condições de financiamento externas", afirma a agência de notação numa nota divulgada hoje.

A nova notação de investimento atribuída a Portugal por uma das três maiores agências de rating traz consigo também uma perspetiva 'estável', o que significa que S&P considera que as condições económicas não se devem alterar, nem levar a mudanças na nota.

Entre os argumentos da S&P para rever o rating está o crescimento económico por quatro anos consecutivos e a perspetiva de que a economia portuguesa cresça 2,2% em média até 2020: 2,8% este ano e 2,3% em 2018.

"Esperamos que o comportamento económico continue a ser generalizado, com contributos positivos de todos os setores", afirmam os analistas da agência, antecipando um aumento no investimento público, devido às eleições autárquicas deste mês e ao novo período de fundos europeus.

A agência destaca também o foco do Governo em "fortalecer o sistema bancário português e a consolidação orçamental", recordando que o executivo socialista "cumpriu o seu objetivo orçamental ambicioso" de 2016 e "parece que o vai fazer novamente este ano, apoiado pela aceleração do crescimento económico e incluindo o impacto positivo do mercado de trabalho no balanço da Segurança Social".

Em resultado de uma consolidação orçamental contínua, que a S&P espera que o Governo mantenha, a dívida pública líquida "deverá diminuir" até 2020, antecipa.

Entre outros aspetos positivos destacados está a queda da taxa de desemprego, que a agência de notação financeira acredita "advir parcialmente das reformas no mercado de trabalho tomadas pelo anterior Governo" PSD/CDS-PP, durante o programa de ajustamento.

A S&P acredita que o Governo liderado por António Costa não deverá reverter essas medidas, ao contrário do que aconteceu com o regresso às 35 horas, uma medida com a qual a agência concorda, pelo "impacto posítivo" no salário disponível.

A empresa recusa, por outro lado, que o aumento no salário mínimo tenha enfraquecido a competitividade, embora admita que o envelhecimento, a emigração e uma diminuição na força de trabalho aumentem esse desafio.

Por fim, e embora admita que o 'Quantitative Easing' do Banco Central Europeu (BCE) tenha ajudado a reduzir os custos de financiamento do Estado e das empresas, a S&P acredita que uma redução nos estímulos da instituição tem um "risco reduzido" para Portugal.

Passos considera "excelente notícia", mas podia ter acontecido antes

"Se não tivéssemos tido uma alteração de governo, muito provavelmente essa melhoria teria ocorrido mais rapidamente", afirmou Passos Coelho. O líder do PSD salientou que o anterior executivo PSD/CDS-PP "lutou muito" para que esta subida de rating acontecesse, mas disse não querer retirar mérito ao atual Governo socialista.

Costa diz que será possível melhorar condições de financiamento

"Esta notação permite-nos obviamente melhores condições de financiamento", que têm por intuito final a redução do défice e da dívida, de modo a "de um modo duradouro" ser dada continuidade à política atual sem "riscos de novos recuos", declarou o chefe do Governo. António Costa desvalorizou ainda as declarações do presidente do PSD: "É tão verdade como eu dizer que se o governo tivesse mudado mais cedo teríamos saído ainda mais cedo". E prosseguiu: "Conseguimos estes resultados virando a página da austeridade".

Centeno: "É uma excelente notícia para Portugal"

"É uma excelente notícia para Portugal, para as empresas, para todo o setor empresarial e produtivo em Portugal e para as famílias, com certeza. Isto significa uma redução muito significativa dos custos de financiamento de toda a economia portuguesa", afirmou Mário Centeno.

"Todos nós sabemos que as condições da política monetária na Europa estão a alterar-se, o período já muito longo de taxas muito baixas pode nos próximos meses (num ano, ano e meio) vir a alterar-se. E era absolutamente crucial para a economia portuguesa que a sua dívida entrasse neste clube mais restrito de dívidas que são consideradas de investimento, porque é essa a melhor garantia que nós temos para a estabilidade do processo orçamental e financeiro português no futuro", sublinhou o governante.

PCP diz que Portugal não pode estar dependente das agências de rating

"O PCP entende que Portugal não pode estar dependente das agências de rating para tomar as suas opções e deve apostar na produção nacional, na criação de emprego, na melhoria dos serviços públicos, na melhoria em geral das condições de vida dos portugueses, independentemente das classificações que as agências de 'rating' entendam atribuir a Portugal", disse aos jornalistas o deputado Paulo Sá.

BE defende que subida só foi possível porque se fez o contrário do que diziam as agências

"Há um reconhecimento da melhoria da economia portuguesa e é um alívio sobre a dívida pública portuguesa. E tudo o que for uma boa notícia para o país, ainda bem", disse Catarina Martins. "Se há algo a retirar desta decisão é que realmente as agências de rating sabem pouco do que dizem e o que se provou é que é o caminho que faz melhorar a vida das pessoas que melhora as condições do país", defendeu.

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