Função Pública

STE denuncia falta de convergência com o Governo

STE denuncia falta de convergência com o Governo

A reunião entre o Governo e o Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado terminou sem consenso, com Bettencourt Picanço a sublinhar a falta de aproximação entre as partes e a recear mais austeridade na Função Pública.

"Não há qualquer ponto de encontro possível entre aquilo que são as nossas propostas e as propostas do Governo que são sempre menos para os trabalhadores", disse o presidente do Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado (STE), Bettencourt Picanço, no final do encontro com o secretário de Estado da Administração Pública, Hélder Rosalino.

O sindicalista salientou que "a primeira reivindicação do STE foi a reposição das remunerações para os níveis de 2010", algo que o Governo rejeita.

"O Governo recusa, volta a penalizar os trabalhadores da Administração Pública com, em média, 5%, já nesta primeira proposta", disse.

Bettencourt Picanço disse recear que "sejam sempre os mesmos a pagar esta incapacidade gestionária" do Executivo.

"Aquilo que nos parece é que o Governo não tem intenção de retomar o que quer que seja. O Governo está a penalizar os trabalhadores, diz que não encontra outra maneira de reduzir o défice senão penalizando os trabalhadores", repetiu.

Sobre as novas medidas que poderão constar da próxima proposta, que será enviada por Hélder Rosalino às principais estruturas sindicais da Administração Pública, Bettencourt Picanço referiu que o governante "não explicitou" quais poderão ser aplicadas.

"Aquilo que receamos é que o Governo se prepare para ir mais longe nos cortes das remunerações e das pensões, mas [o Governo] não abre o jogo em relação às propostas", destacou ainda o presidente do STE.

Sobre a reposição dos subsídios aos funcionários públicos, anunciada esta semana pelo primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, o sindicalista esclareceu que "não há neste momento em cima da mesa nada em relação a subsídios, nada em relação às pensões. O Governo lançará isso na próxima semana".

Na próxima semana será também apresentada uma alteração do diploma de avaliação de desempenho, o que desagrada ao STE.

"Na prática, os trabalhadores não têm qualquer benefício com a avaliação de desempenho e o Governo também aí vai recuar e a avaliação dos serviços e do desempenho é reduzida a um nível menor", rematou Picanço, apelando aos trabalhadores para que se juntem "aos protestos na rua".

O Governo e os sindicatos da Administração Pública reuniram-se no âmbito do processo de negociação coletiva anual, com as frentes sindicais a reivindicarem aumentos salariais e o Executivo a proibir qualquer subida de remunerações em 2013. Têm já encontro marcado para a próxima quinta-feira.