Aviação

TAP serve apenas 5% dos passageiros no aeroporto do Porto

TAP serve apenas 5% dos passageiros no aeroporto do Porto

Números do segundo trimestre deste ano revelam perda de quota de mercado em todos os destinos nacionais, com exceção das ilhas.

A TAP perdeu quota de mercado no transporte de passageiros nos aeroportos de Lisboa, Porto e Faro. Na Invicta, já só um em cada vinte passageiros foi transportado pela companhia aérea nacional no segundo trimestre deste ano, divulgou ontem a Autoridade Nacional de Aviação Civil. O calendário da retoma da TAP para outubro, conhecido ontem, não contém qualquer aumento de oferta fora de Lisboa.

Entre 1 de abril e 30 de junho, a pandemia eliminou 91% do tráfego aéreo em Portugal e 97,5% dos passageiros. Em vez dos 15 milhões de passageiros registados no trimestre homólogo do ano passado, as companhias tiveram apenas 388 mil viajantes. Já eram poucos e a TAP perdeu-os para os principais concorrentes em todos os aeroportos do continente, incluindo no hub de Lisboa.

Na capital, a TAP transportou 56% dos passageiros no primeiro trimestre de 2020 e apenas 18% no segundo trimestre. Quem ficou com os passageiros? A Lufthansa aumentou a quota de 2 para 16%, a Air France passou de 1 para 10% e a KLM conquistou 9% de uma só vez.

Algumas destas companhias foram também as que mais lucraram com o desinvestimento da TAP no Porto, onde a companhia nacional passou de 19% de quota para 5%. A Swiss foi a companhia que mais passageiros transportou no Porto nesta altura: 22%, inclusive ultrapassando a Ryanair, que passou de 36% para 19%. A Lufthansa conquistou 12% dos passageiros (tinha 3%), a Luxair outros 10% e a Air France 9% (nenhuma delas no top 10 no trimestre anterior).

Pouca estratégia

Nuno Botelho, presidente da Associação Comercial do Porto, vê nestes números a prova de que "a TAP tem um problema de gestão, quando diz que os voos do Porto ou de Faro são deficitários". Mas a ocupação dos aviões no aeroporto do Porto "anda próxima dos 70%", revelou Rui Moreira, presidente da Câmara Municipal do Porto, completando que, "em Lisboa, ainda está bastante abaixo, em cerca de 45 ou 46%".

Em Faro, o cenário é ainda mais desolador: a TAP nem surge entre as dez maiores companhias a operar. "Diria que a TAP nunca foi uma companhia aérea com que o Algarve contasse", analisou António Pina, presidente da Comunidade Intermunicipal do Algarve, que deposita "(pouca) esperança" em mudanças mediante o aumento da participação do Estado na TAP. Para já, nada está à vista. O calendário da retoma de voos da TAP para outubro contempla mais ligações a destinos no Brasil, nos EUA e em África, mas não aumenta frequências ou rotas no Porto, em Faro, no Funchal ou em Ponta Delgada.

"A TAP tornou-se irrelevante", rematou Nuno Botelho. "A única estratégia foi injetar dinheiro numa companhia falida que não presta serviço ao país", lamentou.

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