Reestruturação

TAP vai encerrar operações de manutenção e engenharia no Brasil

TAP vai encerrar operações de manutenção e engenharia no Brasil

O Grupo TAP decidiu encerrar as operações de Manutenção e Engenharia Brasil (TAP ME), como parte do plano de reestruturação aprovado por Bruxelas em dezembro, disse esta quarta-feira à Lusa a presidente executiva da companhia aérea, Christine Ourmières-Widener.

"Depois de uma análise aprofundada e muitos estudos, a TAP decidiu fechar a Manutenção & Engenharia no Brasil e encerrar de forma gradual a operação no Brasil e hoje vamos discutir com os trabalhadores, claro, que são a principal prioridade, mas também discutir com os nossos clientes", anunciou Ourmières-Widener em declarações à agência Lusa.

A Comissão Europeia informou em 21 de dezembro que aprovou o plano de reestruturação da TAP e a ajuda estatal de 2550 milhões de euros, mas impôs condições, incluindo a separação dos ativos não-essenciais, nomeadamente o negócio de manutenção no Brasil, e os de catering (Cateringpor) e de handling (Groundforce).

A Manutenção & Engenharia Brasil (M&E Brasil, ex-VEM) foi durante vários anos causa de prejuízos para o grupo TAP, que via a TAP S.A., a empresa que detém o transporte aéreo, ter lucros, e que eram anulados pela empresa adquirida no Brasil em 2006, sob a presidência de Fernando Pinto.

Alvo de várias reestruturações com despedimentos, a última das quais em 2018, a M&E Brasil recebeu da TAP, globalmente, entre 2010 e 2017, injeções financeiras num total de 538 milhões de euros, a valores nominais, sendo que nesse ano foram feitas transferências de mais 30 milhões de euros.

Em 23 de fevereiro de 2021, o então presidente do Conselho de Administração da TAP, Miguel Frasquilho, entretanto substituído por Manuel Beja, anunciou, no Parlamento, que a manutenção de aeronaves da transportadora já não seria feita no Brasil a partir do final daquele ano, independentemente do que viesse a acontecer à M&E Brasil.

O processo de aquisição e controlo da ex-VEM foi um dos motivos para a abertura de um processo na justiça, que envolvia o antigo presidente da TAP, Fernando Pinto, e mais quatro ex-administradores da transportadora, que foi arquivado pelo Ministério Público (MP), em outubro.

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Os antigos administradores estavam a ser investigados por administração danosa, tráfico de influência, branqueamento, corrupção e participação económica em negócio, mas o MP considerou que não havia provas de que tivessem cometido os crimes em causa.

A aquisição da VEM teve início em 2005, sendo que o MP investigou, neste âmbito, se tinha sido dado conhecimento do negócio antecipadamente ao Governo e à Parpública, concluindo que a empresa pública Parpública teve conhecimento prévio das operações ocorridas em 2005 e 2007.

A Comissão Europeia informou em 21 de dezembro que aprovou o plano de reestruturação da TAP e a ajuda estatal de 2.550 milhões de euros, havendo ainda lugar a compensações relacionadas com a pandemia de covid-19, com 462 milhões de euros referentes ao primeiro semestre de 2020, 107 milhões ao segundo semestre, e a compensação referente ao primeiro semestre de 2021.

No entanto, a Comissão impôs condições, como a separação dos ativos não-essenciais, nomeadamente o negócio de manutenção no Brasil, e os de 'catering' (Cateringpor) e de 'handling' (Groundforce).

"Foi assumido o compromisso de alienar ou encerrar a M&E Brasil. A nossa preferência é a alienação", afirmou na altura o ministro das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos, em conferência de imprensa, em Lisboa, após a aprovação do plano de reestruturação da TAP pela Comissão Europeia.

Encerramento da M&E Brasil "não é decisão fácil"

Christine Ourmières-Widener disse hoje à Lusa que encerrar o negócio de engenharia e manutenção no Brasil "não é uma decisão fácil", porque envolve 500 trabalhadores, mas foi tomada após tentativas falhadas de venda.

"Não é uma decisão fácil, porque estamos a falar de pessoas, mas estamos a tentar fazer tudo para garantir que esta decisão e a sua implementação é feita respeitando os nossos trabalhadores, a experiência que eles têm em engenharia e toda a lealdade que têm para com a companhia", afirmou.

Segundo a responsável, a Manutenção & Engenharia Brasil (ex-VEM: Varig Engenharia e Manutenção) tem atualmente 500 trabalhadores, após várias reestruturações que incluíram despedimentos, estando no ativo, pouco menos de 400.

A ideia, explicou, é encerrar de forma gradual a operação, passado o "período de tempo suficiente, fechar a operação", sendo que as discussões com os sindicatos no Brasil arrancam hoje.

"É uma decisão absolutamente consistente com o plano de reestruturação - temos sido muito diligentes no sentido de assegurar que assim é - nós tentámos vender, mas a indústria está a atravessar uma crise massiva", disse a presidente executiva, adiantando que foram feitas algumas tentativas de venda do negócio de manutenção no Brasil, no ano passado, "mas não foram bem-sucedidas".

"Chegámos à solução que temos em cima da mesa hoje, depois de considerar todas as outras opções antes", garantiu, acrescentando que apesar de difícil, é uma decisão "crítica" para o sucesso do plano de reestruturação.

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