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Tecnológicas captam mais de mil milhões de euros de financiamento

Tecnológicas captam mais de mil milhões de euros de financiamento

Empresas com ADN português atraem capital graças ao talento e aposta internacional desde o primeiro dia.

As empresas tecnológicas portuguesas nunca tinham conseguido receber tanto dinheiro num só ano. 2021 ainda não acabou e estas companhias já arrecadaram 1,1 mil milhões de euros em injeções de capital em mercado privado.

Ou seja, superaram, pela primeira vez, o patamar de unicórnio, que avalia estas empresas em pelo menos mil milhões de dólares (883,5 milhões de euros), segundo o câmbio atual.

A qualidade do talento e o pensamento de mercado virado para o estrangeiro são apontados como as principais razões para o sucesso junto dos investidores.

Talkdesk, SWORD Health, Feedzai, Remote e OutSystems são as empresas com ADN português que mais contribuíram para o recorde. Concentraram um total de 992 milhões de dólares (876,4 milhões de euros) de financiamento nos últimos 12 meses, mostra a plataforma Dealroom.

O recorde português acompanha a tendência europeia: de 2020 para 2021, o investimento em tecnológicas triplicou de 41 para 121 mil milhões de euros, salienta António Miguel, sócio-gerente da empresa de investimento de impacto Maze.

O especialista do fundo da Fundação Calouste Gulbenkian nota, no entanto, que "há uma maior concentração do financiamento em menos empresas".

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Vindo do estrangeiro

Neste ano, houve 112 rondas de investimento, o que compara com as 116 de 2020 e as 141 de 2019, que detém o recorde em número de operações. O anterior máximo de investimento datava de 2018, com 498 milhões de euros injetados.

A aposta em tecnológicas também se deve ao "reforço na aposta em classes alternativas de investimento" devido ao "longo contexto de taxas de juro baixas", diz Alexandre Santos.

O fundador da sociedade de capital de risco Chamaeleon assinala ainda que "a pandemia e uma maior preocupação com o futuro do planeta vieram acelerar um conjunto de tendências e apetite acrescido por investir em projetos mais inovadores e disruptivos".

Os investidores nas tecnológicas portuguesas estão concentrados na Europa e nos EUA. Quanto mais avançada é a etapa de financiamento, maior é a predominância do capital de risco internacional.

Unicórnios nacionais

As cinco tecnológicas que atraíram mais investimento têm em comum serem unicórnios nacionais - a Farfetch foi a primeira empresa a atingir esse estatuto, em 2015, mas é cotada em bolsa desde 2018, nos Estados Unidos.

Dois dígitos

Além dos unicórnios, houve mais cinco tecnológicas nacionais que conseguiram mais de dois dígitos nas injeções de capital: Jscrambler, AceCann, Casafari, Statio e Infraspeak.

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