Portugal Mobi Summit

Teletrabalho, digital e bicicletas são as heranças da pandemia

Teletrabalho, digital e bicicletas são as heranças da pandemia

Novos modelos de negócio, de trabalho e de mobilidade vieram para ficar. O desafio agora é saber inovar para aproveitar as oportunidades que surgiram com a pandemia, avisam os convidados da última sessão warm up antes da cimeira PMS.

Com mais de metade do ano a viver com esta pandemia, já será pelo menos possível prever o que, neste novo normal, veio para ficar. O teletrabalho, o digital e as bicicletas são as primeiras tendências de mobilidade sustentável que vieram ao de cima na última sessão de warm up antes da cimeira do Portugal Mobi Summit. As oportunidades e os desafios que há agora pela frente estiveram no centro do debate que juntou esta manhã António Coutinho, administrador executivo da EDP Comercial, Licínio Almeida, diretor geral da Volkswagen Portugal, Eduardo Lemos, diretor de Planeamento Estratégico da Brisa, José Rui Felizardo, CEO do CEiiA, e Nuno Piteira Lopes, vereador da Câmara de Cascais.

Comecemos, então, pelo teletrabalho e pelo que poderá vir a acontecer nas empresas. No caso da EDP, conta António Coutinho, a expectativa é que surjam três dias fixos no local de trabalho com "equipas rotativas" a alternarem entre si. Na Câmara Municipal de Cascais, as áreas administrativas e outras mais específicas, como licenciamento ou apreciação urbanística, poderão ter "um dia no escritório e quatro opcionais em regime de teletrabalho", explica Nuno Piteira Lopes.

Acelerando com o digital

Esta é uma das grandes heranças da pandemia, mas longe de ser a única. "A mais impactante terá sido, aliás, a experiência de viver em cidades livre de emissões", recorda o administrador executivo da EDP Comercial, acreditando que a pressão para mudar as políticas será ainda maior e "vital" para responder ao crescimento demográfico nos centros urbanos.

Se a mobilidade elétrica é o "sangue das cidades", como relembra António Coutinho, o digital será o seu acelerador, acrescenta Licínio Almeida. O setor automóvel está no centro desta mudança, conta o diretor geral da Volkswagen Portugal, olhando para os novos serviços online que surgiram praticamente da noite para o dia: "No caso da marca VW desde programas de reparação, recolha ou aquisição e até apresentações de carros em vídeo."

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O digital, por isso, vai manter-se, conclui Eduardo Lemos, colocando a tónica na "pressão" que o e-commerce terá na "reconfiguração" da distribuição das mercadorias: "A circulação dos pesados, muito condicionada pela pandemia, está agora centrada na Europa e na Península Ibérica e menos nos EUA e China." Mas a mobilidade urbana, essa, tomou um novo rumo, privilegiando o transporte individual em detrimento do público, adverte o diretor de Planeamento Estratégico da Brisa: "O custo deixou de ser o critério-chave para passar a ser o distanciamento social e a segurança sanitária a ditar as opções de mobilidade."

Recuperar a confiança dos utentes nos transportes públicos é agora a prioridade, avisa e Nuno Piteira Lopes, admitindo que, para o município de Cascais, as notícias são otimistas com o visto do Tribunal de Contas a viabilizar, na semana passada, o contrato com um novo operador de transportes: "No prazo de seis meses a frota de autocarros será renovada com 40% dos veículos novos e 20% elétricos", explica o autarca, esperando que os restantes municípios da área metropolitana de Lisboa possam também seguir este caminho.

O caminho, aliás, só pode ser o da inovação, diz José Rui Felizardo. Essa é, porventura, a "maior oportunidade" que surgiu com a pandemia. Modelos de negócios em mudança, novas organizações de trabalho e mobilidade em constante evolução são as realidades com as quais "estamos todos a aprender a lidar e a tentar tirar o melhor partido", diz o CEO do CEiiA, destacando o grande protagonismo da micromobilidade e da bicicleta em particular.

E foi a bicicleta, portanto, que serviu para encerrar a última sessão warm up antes dos dois dias cimeira do Portugal Mobi Summit. Amanhã, o ministro do Ambiente e da Ação Climática, João Pedro Matos Fernandes, dá início, a partir das 9h00, ao ciclo de debates que até quinta feira vai subir ao palco do Centro Cultural de Cascais. Mais de meia centena de especialistas nacionais e estrangeiros das áreas de políticas públicas, transportes, ambiente, tecnologias, urbanismo e muitas mais vão debater temas ligados à inovação, à transição energética, transportes públicos ou novos paradigmas que vieram com a pandemia. Acompanhe em direto e em livestream as participações de todos os oradores nos sites do DN, do JN, da TSF, do Dinheiro Vivo, do Motor24 e portugalms.

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