Fórum para a Competitividade

"Temos uma geração de políticos que veio das jotas" e desconhece as empresas

"Temos uma geração de políticos que veio das jotas" e desconhece as empresas

A incapacidade para implementar reformas estruturais é, para o presidente do Fórum para a Competitividade, Pedro Ferraz da Costa, um dos problemas permanentes do país e que resulta, segundo o empresário, da ausência de ligação entre a classe política e a realidade das empresas.

"Há 20 anos que há [incapacidade para resolver os problemas que afetam as empresas]. Temos uma geração de políticos que veio das jotas e que o que conhece é a conversa de bastidores da Assembleia da República e pouco mais do que isso" sublinha o empresário em entrevista à Lusa.

Mas Pedro Ferraz da Costa diz também que esta geração de políticos está habituada "a intermediar, uns de uma forma mais séria, outros de uma forma menos séria, os grandes negócios do país, mas não a atividade económica das empresas de dimensão média que são, por exemplo, as que fazem o sucesso económico da Alemanha".

O presidente do Fórum para a Competitividade lembra que, para além desta realidade, Portugal tem uma classe política com uma formação de base muito jurídica, focada na autoridade do Estado e muito pouco favorável aos agentes económicos.

"É uma coisa que vai desde o Bloco de Esquerda até ao CDS quase por igual, há uma desconfiança enorme em relação à iniciativa privada", lembra Ferraz da Costa.

Para o empresário, é esta desconfiança que faz com que "tudo o que sejam reformas que liberalizem e que façam com que o Estado saia desses setores e as pessoas se possam reger por regras normais que existem na generalidade dos outros países europeus" seja "muito difícil".

Este responsável exemplifica esta atitude com o que se passa no setor da Justiça. Há sempre discussões altamente intelectuais sobre a Justiça, mas "não é nada disso que preocupa um agente económico que, se vier trabalhar para Portugal, tem de pensar se tem ou não alguma maneira de cobrar as suas dívidas, porque, de fato, neste momento não tem e isso era fundamental".

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"Há da parte do Governo uma incapacidade para perceber o que é que é importante para os agentes económicos. Aliás, não há no Governo praticamente ninguém que tenha qualquer experiência nessa área", sublinha Ferraz da Costa.

Mas esta é também uma realidade histórica do país, diz, lembrando que "toda a opinião pública em Portugal foi educada desde o 25 de Abril a olhar de uma forma muito negativa" para o que "as empresas precisam para se desenvolver. Toda a gente acha que o lucro é um pecado, que em caso de dúvida a empresa deve sacrificar o seu potencial de ter resultados positivos e de se expandir".

Pedro Ferraz da Costa critica ainda a classe política pelo discurso "demagógico" sobre as Pequenas e médias Empresas (PME).

"Temos um discurso um bocado demagógico de apoio às PME" que vai "desde a extrema-esquerda à extrema-direita, porque é aquilo que se pode apoiar, é pequenino e tal, como se fossem uns cãezinhos de luxo", lamenta o empresário.

Mas para o líder do Fórum para a Competitividade "o nosso grande problema é fazer com que empresas de dimensão média adquiram uma dimensão maior".

Ferraz da Costa reconhece que as pequenas empresas têm um contributo importante a dar em termos de concorrência e de criação de emprego, mas diz que não será daí que virá "a resolução do nosso desequilíbrio externo".

Para o empresário a solução terá de vir das "empresas de dimensão média, com organizações e quadros que sejam credíveis em termos internacionais e que possam com isso desenvolver novos negócios e crescer francamente no mercado internacional".

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