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Testes do BCE podem detetar falhas nos bancos portugueses

Testes do BCE podem detetar falhas nos bancos portugueses

O governador do Banco de Portugal admitiu, esta quarta-feira, que os exames do BCE poderão detetar falhas nos bancos portugueses, apesar do trabalho de preparação que o Banco de Portugal fez nos últimos anos com várias auditorias e testes de 'stress'.

Num discurso no parlamento, em Lisboa, a propósito de uma conferência sobre a União Bancária, Carlos Costa destacou as auditorias à qualidade dos ativos dos bancos e os testes de 'stress' trimestrais que o Banco de Portugal (BdP) levou a cabo desde 2011 às principais instituições financeiras para considerar que "os bancos [portugueses] não estão impreparados para fazer face ao processo que se vai iniciar".

À partida, os bancos portugueses conhecem os mecanismos a que vão ser sujeitos, conhecem a situação dos seus balanços, reconheceram imparidades. É de admitir que possa haver aqui ou acolá uma diferença, porque a parametrização não é necessariamente a mesma e pode ser mais penalizadora ou menos", considerou Carlos Costa, acrescentando que, por exemplo, os testes de 'stress' partem da definição de um cenário adverso teórico que não será necessariamente igual ao usado pelo BdP.

A avaliação do BCE a 128 bancos da zona euro, incluindo Caixa Geral de Depósitos, BCP, BPI e BES, é composta por três fases: uma análise à qualidade do balanço dos ativos dos bancos (chamada 'Asset Quality Review, à data de 31 de dezembro deste ano), uma análise dos principais riscos que se colocam a cada entidade (seja de liquidez, alavancagem ou financiamento) e testes de 'stress', em que o BCE vai exigir um rácio de capital mínimo de 8%, no cenário base, e de 5,5%, no cenário adverso.

A instituição liderada por Mario Draghi faz estes exercícios antes de assumir a supervisão bancária única, em 2014, um dos mecanismos da futura União Bancária.

O projeto da União Bancária implica três pilares. Além da supervisão única (a cargo do BCE), é composto pelo mecanismo único de resolução e o esquema comum de garantia depósitos, sobre o qual ainda não há acordo na Europa.

O governador do Banco de Portugal afirmou hoje que os exames que o BCE vai levar a cabo servem para "construir um mecanismo de confiança" na Europa, para que possa existir solidariedade entre os Estados-membros sem receios de que haja nos bancos "podridão que não é visível".

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Apesar disso, disse, é necessário criar cláusulas de salvaguarda e um período de transição que permita que se revelem as surpresas, antes de a União Bancária entrar plenamente em funcionamento.

O Governador detalhou que a União Bancária vai permitir "divorciar as condições de financiamento das empresas" das condições de financiamento do país, não ficando estas limitadas por este, "vai tornar o soberano [país] imune a acidentes no sistema bancário" e permitirá que as crises bancárias e soberanas não se impactem mutuamente.

Ainda assim, antecipou, depois da União Bancária, a Europa tem de começar a pensar de imediato na construção da União Financeira já que será confrontada com problemas decorrentes do facto de não existir integração dos sistemas financeiros europeus.

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