Economia circular

Têxteis receosos com plano de sustentabilidade

Têxteis receosos com plano de sustentabilidade

Empresas temem que a UE continue a facilitar a entrada de produtos que não cumpram regras.

A União Europeia arrancou esta semana, e até 4 de agosto, com uma consulta pública para definir a futura estratégia para os têxteis sustentáveis. O setor foi identificado - tanto no Pacto Ecológico Europeu quanto no Plano de Ação para a Economia Circular e na Estratégia Industrial - como "prioritário na preparação da UE para uma economia circular e neutra em carbono". Bruxelas promete ter em conta as "necessidades de recuperação" e as "fragilidades atuais e esperadas", do lado da procura e por parte da oferta, na sequência do impacto da pandemia. Mas os empresários temem que "uma boa intenção possa resultar num tiro no pé que dê cabo, de uma vez, com o que resta da indústria na Europa".

"No passado, as indústrias que poluíam foram mandadas para a Ásia, em vez de se fomentar a tecnologia e a inovação na Europa. Espero que se tenha aprendido a lição e que não se venha, com esta nova estratégia, amplificar o erro; não podemos ter uma Europa limpa e um mundo sujo", diz o presidente da Associação Têxtil e Vestuário de Portugal (ATP).

No entanto, Mário Jorge Machado teme também que, na tentativa de impor à indústria a obrigatoriedade de não poluir, se venha a colocar em causa a competitividade dos artigos "made in Europe", sobretudo face aos produtos vindos da Ásia.

"A única forma de se fazer isto é seguir o exemplo da indústria automóvel, ou seja, qualquer fabricante extracomunitário que queira vender os seus carros na Europa tem de cumprir os mesmos critérios de segurança que aqui se praticam. Na fileira têxtil, a situação tem de ser a mesma. Se queremos ter uma economia circular na Europa, temos de obrigar todos os que queiram vender no espaço europeu a cumprir as mesmas regras".

Até porque, ao não o fazer, as autoridades europeias estão a pôr em causa a saúde e bem-estar dos consumidores. Mário Jorge Machado lembra que, a partir de 2025, não será mais permitida a incineração de têxteis, o que significa que tudo o que deixa de ser usado terá de ser reciclado. "À medida que se institui a economia circular, estaremos a introduzir na cadeia têxteis importados com metais pesados. Corremos o risco de pegar no problema que era de um só consumidor, que comprou aquela peça com produtos químicos nocivos, e de o espalhar por centenas de outros", alerta.

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