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Toyota Mirai: chega a Portugal o primeiro carro a hidrogénio

Toyota Mirai: chega a Portugal o primeiro carro a hidrogénio

Em setembro chega a Portugal, pelas mãos da Toyota o Mirai, primeiro automóvel com pilha de combustível a ser vendido entre nós. Num país ainda sem uma rede de abastecimento de hidrogénio, a marca confia que a intenção declarada de algumas empresas permita chegar ao final deste ano já com alguns postos em funcionamento.

A apresentação nacional da segunda geração do Mirai, que tem um posicionamento Premium, decorreu em Cascais, por se tratar de "uma câmara pioneira na mobilidade elétrica", referiu Victor Marques, relações públicas da Toyota.

O Mirai é um FCEV (Fuel Cell Eletric Vehicles), que usa o hidrogénio como combustível. Da reação química com o oxigénio resulta eletricidade, que alimenta um motor de 182 cavalos. Do "escape" apenas sai água (potável, como comprovou o jornalista do JN) e ar que, puxado para alimentar a pilha de combustível, é purificado por um filtro químico, que captura partículas microscópicas de poluentes, e é libertado para o exterior mais puro do que quando entrou.

O novo modelo utiliza a mesma plataforma do Lexus LS, o que, juntamente com uma motorização reconfigurada, permitiu passar a pilha de combustível para a frente, no lugar onde normalmente está o motor de um carro, e instalar um terceiro depósito de hidrogénio, aumentando a autonomia para cerca de 650 quilómetros.

Ao mesmo tempo, o Mirai passou a ser uma tração traseira e a levar cinco passageiros. Cabe aqui referir que, apesar das dimensões generosas (quase cinco metros de comprimento e uma largura de 1,85 metros), o espaço traseiro é acanhado em especial para o quinto passageiro devido ao volumoso túnel central imposto por um dos depósitos de hidrogénio e também a bagageira tem uma dimensão mediana.

Num breve contacto dinâmico realizado na zona de Cascais, ressaltou o grande conforto do Mirai, apesar das jantes de 20 polegadas, o elevado nível de equipamento e a qualidade dos materiais e da montagem. Apesar de ser um carro movido a eletricidade, não tem a aceleração fulgurante de um elétrico "puro" e faz dos zero aos 100km/h em 9 segundos, atingindo uma velocidade máxima de 175 km/h.

O trajeto em que conduzimos o Mirai, por ser essencialmente urbano, não permitiu ajuizar do seu comportamento dinâmico, mas deu para perceber das suas qualidades em termos de conforto, silêncio e muito equipamento.

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Em contrapartida, atestar os três depósitos, que têm uma capacidade de 5,6 quilos de hidrogénio (um pouco mais cerca de 140 litros) demora entre três a cinco minutos, eliminando um dos atuais problemas dos elétricos, que são os tempos de carregamento.

Falta rede de abastecimento

A falta de postos de abastecimento em Portugal (o mais próximo fica em...Barcelona) contrasta com o que sucede noutro países, que paulatinamente vão implementando a sua rede.

A Salvador Caetano, importadora da marca em Portugal, está confiante de que os postos vão começar a a aparecer, tanto mais que a Galp já mostrou interesse no negócio e talvez este ano possa montar os primeiros postos e a Salvador Cateamo vai montar o seu próprio posto na fábrica de Ovar.

"O que estamos a dizer é que em setembro vamos comercializar o nosso carro a hidrogénio. As empresas do setor dos combustíveis não podem argumentar que não há veículos que justifiquem o investimento. A própria Câmara de Gaia já lançou o concurso para a construção de postos e a fileira do hidrogénio ganha mais expressão quanto a CaetanoBus já vendeu os primeiros autocarros a hidrogénio para a Alemanha e Espanha", referiu Victor Marques.

Combustível do futuro

Mas a própria Toyota reconhece que a falta de infraestruturas tem sido um entrave ao desenvolvimento de novos modelos FCEV.

O engenheiro chefe da Toyota, Yoshikazu Tanaka, sublinha que a marca "vê o hidrogénio como um combustível eficaz para o futuro" mas que "o desenvolvimento da infraestrutura está a revelar-se mais lento do que o previsto e devido aos limites resultantes do número de veículos que podem ser lançados no mercado, ainda estamos a meio do caminho para alcançar a adoção generalizada de FCEV".

O objetivo da marca é "ajudar a resolver questões ambientais e de energia através da produção em massa de veículos elétricos com pilha de combustível porque utilizam hidrogénio para se moverem, são muito eficientes, podem percorrer longas distancias, permitem reabastecimentos rápidos e emitem apenas água".

A Toyota sublinha que é muito vasto leque de aplicações do hidrogénio na mobilidade, estando já a ser aplicado em camiões, frotas de autocarros urbanos, empilhadoras e geradores, estando em curso testes para a sua utilização em barcos e comboios.

A gama Murai em Portugal já está definida, desdobrando-se nas versões Luxury, Premium e Limousine, com preços que começam nos 67 168 euros. Tenha-se em atenção que, por se tratar de um veículo elétrico, deverá ser tratado fiscalmente como tal poderá tornar-se interessante para as empresas.

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